Mascarados: os homens que se vestem de boneca

Homens heterossexuais, casados e com filhos, que dedicam o tempo livre a se vestir de boneca: este universo incomum é o tema do documentário ‘My Strange Addiction: Men in Doll Suits’, dirigido por Nick Sweeney.
Esta subcultura que fascina e repele, causando polêmica por sua própria natureza, aos poucos amplia seu número de adeptos e praticantes. Um deles, abordado no filme, é Robert*, de 71 anos.

Corretor de imóveis em horário comercial, quando está de folga se transforma em Sherry, uma voluptuosa loira que faz sucesso na rede e compartilha suas idas ao shopping e passeios por Newport Beach em uma conta bombada no Facebook.
A internet, inclusive, tem papel importante para os ‘mascarados’ – termo através do qual se definem. O site Dolls Pride é uma rede social exclusiva para ele, na qual podem criar perfis e interagir entre si – além de participar de fóruns e marcar encontros.

Se drags e travestis já sofrem com o preconceito, imagine só o quanto um mascarado não é incompreendido pela sociedade, uma vez que se trata de um heterossexual que se veste de boneca por satisfação pessoal.
Muitos adeptos mantém a identidade anônima por não conseguirem falar sobre o assunto nem mesmo com os amigos ou familiares. “Quando estou trajado de forma masculina, em pública, simplesmente sou mais um em meio à multidão, mas quando a Sherry surge, torno-me uma pessoa bonita, que atrai a atenção e atenção é algo que me faltou em toda a vida”, explica Robert/Sherry.

Eis a resposta que muita gente esperava para compreender um pouco melhor qual o barato do travestimento. Os ‘mascarados’ não usam apenas maquiagens e perucas, eles se vestem com indumentária prostética fabricada de maneira quase artesanal – pesada e custosa – e usam máscaras com o rosto de boneca.
Não se consideram transgressores e nem são engajados em alguma causa em benefício comum. A montação é apenas uma forma de exteriorizar suas identidades de maneira distinta, questionando ainda mais a necessidade de diferenciação de gêneros.

Com a real identidade indecifrável por conta da fisionomia coberta, é impossível reconhecer quem é um mascarado. Talvez possa ser um dos seus professores da faculdade ou mesmo seu pai.
‘Mascarados’ não dão pinta, não querem ser mulher, não desejam outros homens, não terão vestígios de maquiagem, cílios ou unhas postiças. Quem não quer ser descoberto só precisa de um bom esconderijo para suas roupas e máscaras.

Nos Estados Unidos, onde o número de adeptos é maior, existe a FemSkin, uma fabricante de trajes exclusivos para atender a demanda deste mercado em ascensão e anualmente rola o encontro Rubber Doll World Rendezvous, no qual mascarados do mundo inteiro podem se jogar à vontade.

http://acoisatoda.com/2016/01/23/mascar ... de-boneca/









