Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

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Montfort
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Montfort » 07 Abr 2017 09:20

café c/ leite escreveu:Mas qual é o seu ponto, exatamente? Pessoas são hábeis naquilo que elas praticam com empenho, não dá pra esperar que um cangaceiro tivesse tempo e vontade pra aprimorar sua escrita quando haviam preocupações maiores no sertão.
Alguns elogios despertaram-me a curiosidade. Um minuto de pesquisa foi o necessário para constatar o exagero. SÓ ISSO. :giveup:
“There was some one thing that was too great for God to show us when He walked upon our earth; and I have sometimes fancied that it was His mirth.”
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 07 Abr 2017 09:43

Apesar dos erros gramaticais, eu imaigno que no sertão, naquela época, mas de 90% da população era analfabeta. Se pegarmos o pessoal que estuda todo o ensino fundamental atualmente em escolas públicas da periferia, dá para afirmar que Lampião era quase um erudito. Li uma livro que mostrava as cartas escritas por D. Pedro I. Havia erros de português bizarros. Pô, o cara era imperador, teve acesso aos melhores professores, mas pelo o que consta, era um vagabundo. Muito diferente de D. Pedro II.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Aquaman » 07 Abr 2017 10:06

Anônimo escreveu:Apesar dos erros gramaticais, eu imaigno que no sertão, naquela época, mas de 90% da população era analfabeta. Se pegarmos o pessoal que estuda todo o ensino fundamental atualmente em escolas públicas da periferia, dá para afirmar que Lampião era quase um erudito. Li uma livro que mostrava as cartas escritas por D. Pedro I. Havia erros de português bizarros. Pô, o cara era imperador, teve acesso aos melhores professores, mas pelo o que consta, era um vagabundo. Muito diferente de D. Pedro II.
Sempre li que D.Pedro I era bem relaxado nesse ponto, acho que tem uma carta dele para D. Pedro II que ele admitia isso :D
O melhor momento para plantar uma árvore foi há 20 anos, o segundo melhor é agora.

Moicano wants MONEY!

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Violence » 07 Abr 2017 10:46

Anônimo escreveu:Apesar dos erros gramaticais, eu imaigno que no sertão, naquela época, mas de 90% da população era analfabeta. Se pegarmos o pessoal que estuda todo o ensino fundamental atualmente em escolas públicas da periferia, dá para afirmar que Lampião era quase um erudito. Li uma livro que mostrava as cartas escritas por D. Pedro I. Havia erros de português bizarros. Pô, o cara era imperador, teve acesso aos melhores professores, mas pelo o que consta, era um vagabundo. Muito diferente de D. Pedro II.
Erros de português mesmo ou era o português da época? O.o"

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 07 Abr 2017 10:50

Violence escreveu:Erros de português mesmo ou era o português da época? O.o"
Alguns eram erros mesmo de português. Creio que certas coisas como "antes de P e B se escreve M e não N", sempre se mantiveram.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por brunodsr » 07 Abr 2017 12:21

Montfort escreveu:Alguns elogios despertaram-me a curiosidade. Um minuto de pesquisa foi o necessário para constatar o exagero. SÓ ISSO. :giveup:
Qual foi o elogio? Qual foi o exagero? Em que a escrita do cara influencia neles? :-?
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Montfort » 07 Abr 2017 12:34

Anônimo escreveu:Apesar dos erros gramaticais, eu imaigno que no sertão, naquela época, mas de 90% da população era analfabeta. Se pegarmos o pessoal que estuda todo o ensino fundamental atualmente em escolas públicas da periferia, dá para afirmar que Lampião era quase um erudito. Li uma livro que mostrava as cartas escritas por D. Pedro I. Havia erros de português bizarros. Pô, o cara era imperador, teve acesso aos melhores professores, mas pelo o que consta, era um vagabundo. Muito diferente de D. Pedro II.

Imagem

"Não sendo possível dirigir-me a cada hum dos meus verdadeiros amigos em particular, para me despedir, e lhes agradecer ao mesmo tempo os obséquios, que me fizeram, e outro sim para lhes pedir perdão de alguma offensa, que de mim possão ter (…) Eu me retiro para a Europa, saudoso da Patria, dos Filhos, e de todos os meus verdadeiros amigos (…) Adeos Patria, adeos amigo, e adeos para sempre.
Bordo da Náo Ingleza Warspite, 12 de Abril de 1831.
D. Pedro d’Alcantara de Bragança e Bourbon."


**

A mim não parece a caligrafia ou a gramática terem pertencido a homem relapso ou de meia-letras.

Quanto a carta ao pequeno filho, só achei a transcrição, que aliás, bem poderia ter passado eu sem conhecer. Vou remediar o amuo com cerveja.



"Meu querido filho, e meu imperador. Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler porque as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração. Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria. Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz. Adeus, meu amado filho, receba a benção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperanças de o ver.”

D. Pedro de Alcântara
Bordo da Nau Warspite
12 de abril de 1831
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Montfort » 07 Abr 2017 12:45

brunodsr escreveu:Qual foi o elogio? Qual foi o exagero? Em que a escrita do cara influencia neles? :-?

"Uma cidadão lendário sim, como viveu , sua inteligência, sabia ler e escrever, coisa de louco pra época, político, estrategista
Era o Rei do Sertão durante uma época".


Tomo inteligência e esperteza como qualidade distintas. Que o sujeito era de espírito agudo, não tenho dúvidas; e que teve no terror seu maior quinhão, duvido ainda menos.



P.S.: Sequer insinuei ter sido o sr. autor das palavras acima.
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 07 Abr 2017 13:00

Montfort escreveu:Imagem

"Não sendo possível dirigir-me a cada hum dos meus verdadeiros amigos em particular, para me despedir, e lhes agradecer ao mesmo tempo os obséquios, que me fizeram, e outro sim para lhes pedir perdão de alguma offensa, que de mim possão ter (…) Eu me retiro para a Europa, saudoso da Patria, dos Filhos, e de todos os meus verdadeiros amigos (…) Adeos Patria, adeos amigo, e adeos para sempre.
Bordo da Náo Ingleza Warspite, 12 de Abril de 1831.
D. Pedro d’Alcantara de Bragança e Bourbon."


**

A mim não parece a caligrafia ou a gramática terem pertencido a homem relapso ou de meia-letras.

Quanto a carta ao pequeno filho, só achei a transcrição, que aliás, bem poderia ter passado eu sem conhecer. Vou remediar o amuo com cerveja.



"Meu querido filho, e meu imperador. Muito lhe agradeço a carta que me escreveu, eu mal a pude ler porque as lágrimas eram tantas que me impediam a ver; agora que me acho, apesar de tudo, um pouco mais descansado, faço esta para lhe agradecer a sua, e para certificar-lhe que enquanto vida tiver as saudades jamais se extinguirão em meu dilacerado coração. Deixar filhos, pátria e amigos, não pode haver maior sacrifício; mas levar a honra ilibada, não pode haver maior glória. Lembre-se sempre de seu pai, ame a sua e a minha pátria, siga os conselhos que lhe derem aqueles que cuidarem na sua educação, e conte que o mundo o há de admirar, e que me hei de encher de ufania por ter um filho digno da pátria. Eu me retiro para a Europa: assim é necessário para que o Brasil sossegue, o que Deus permita, e possa para o futuro chegar àquele grau de prosperidade de que é capaz. Adeus, meu amado filho, receba a benção de seu pai que se retira saudoso e sem mais esperanças de o ver.”

D. Pedro de Alcântara
Bordo da Nau Warspite
12 de abril de 1831
Creio que documentos importantes eram escritos por assessores. Fico imaginando que se o Lula for escrever um bilhete, haverá inúmeros erros de gramática, pois ele é um analfabeto confesso. Os erros do D. Pedro I podem ser encontrados em correspondências informais e cartas para suas amantes.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Montfort » 07 Abr 2017 13:22

Anônimo escreveu:Creio que documentos importantes eram escritos por assessores. Fico imaginando que se o Lula for escrever um bilhete, haverá inúmeros erros de gramática, pois ele é um analfabeto confesso. Os erros do D. Pedro I podem ser encontrados em correspondências informais e cartas para suas amantes.

Não descarto a possibilidade. Contudo, não parece ser um "documento importante" e hoje em dia grafologia é um exame deverás simples. Você se refere a este livro? http://geracaoeditorial.com.br/titilia- ... de-santos/
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 07 Abr 2017 13:29

Montfort escreveu:Não descarto a possibilidade. Contudo, não parece ser um "documento importante" e hoje em dia grafologia é um exame deverás simples. Você se refere a este livro? http://geracaoeditorial.com.br/titilia- ... de-santos/
Tem um outro, onde ele escreve uma carta para um amigo. Acho que no livro do Narloch isso é mostrado. Bom, o que quis ressaltar é que em uma país onde até o imperador não era muito amigo da gramática, o Lampião poderia ser considerado, dentro da sua realidade, quase um erudito.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Montfort » 07 Abr 2017 13:38

Anônimo escreveu:Tem um outro, onde ele escreve uma carta para um amigo. Acho que no livro do Narloch isso é mostrado. Bom, o que quis ressaltar é que em uma país onde até o imperador não era muito amigo da gramática, o Lampião poderia ser considerado, dentro da sua realidade, quase um erudito.

Estou consultando uma pessoa de competência infinitamente maior que a minha a respeito de algumas dúvidas sobre a flexibilidade da ortografia portuguesa. Quando obtiver as respostas posto aqui, mas adianto que, aparentemente, a padronização da língua portuguesa ainda demoraria um tanto e a mesma palavra poderia bem ter grafias diversas aceitáveis.

PS. Porra Anônimo... Imperador o cacete!!! A carta é de 1927... Vá comparar as merdas de Lampião com algum presidente... =)) =)) =))
Spoiler:
:offtopic2:
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 07 Abr 2017 14:35

Montfort escreveu:Estou consultando uma pessoa de competência infinitamente maior que a minha a respeito de algumas dúvidas sobre a flexibilidade da ortografia portuguesa. Quando obtiver as respostas posto aqui, mas adianto que, aparentemente, a padronização da língua portuguesa ainda demoraria um tanto e a mesma palavra poderia bem ter grafias diversas aceitáveis.

PS. Porra Anônimo... Imperador o cacete!!! A carta é de 1927... Vá comparar as merdas de Lampião com algum presidente... =)) =)) =))
Spoiler:
:offtopic2:

Sim, mas o que quero dizer é que o homem mais importante do país, alguns anos antes, brigava com a língua portuguesa. Ok, a questão da padronização devia ser algo inexistente na época, mas se pensarmos em termos de Nordeste do Brasil, a Lamparina estava muito à frente dos seus conterrâneos. Minha mão nasceu no Amazonas em 1936. Ela me contava que nos anos 40, pessoas alfabetizadas eram raras exceções.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por The Answer » 07 Abr 2017 21:51

Estou um tablet e não sei postar imagens mas segue o link

Os buracos das balas estao lá até hoje, mostra como a igreja foi o "palco" da resistência.

https://goo.gl/images/tCzEJt

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por The Answer » 07 Abr 2017 21:55

Assim que estiver com um pc disponível eu faço uma seleção de fotos dos lugares históricos e em homenagem a Lampião e a resistência de Mossoró.

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