jotaerre escreveu: 24 Jan 2022 15:07
Cara, na sua infância você deve ter visto o superman sair de seu lar que era destruído e vir ganhar força sob a lux de um novo sol, tal qual seus criadores, judeus, que deixaram seu lar em meio ao holocausto e vieram ganhar uma nova vida em um novo continente;
Muitos heróis espaciais de hoje, como o quarteto, surgiram em meio a guerra fria e a corrida espacial;
Boa parte dos heróis negros surgiram na década de 70 e 80, décadas nas quais os movimentos raciais ganhavam mais força. E sofriam o mesmo preconceito que você cospe hoje: qual a necessidade de um herói ser negro? Nunca vi na minha infância um herói negro antes, por que agora? Alguns pacotes da primeiras revistas do pantera negra, por exemplo, eram devolvidos pelos distribuidores justificados pela falta de necessidade dessa mudança;
Nos anos 80, surgiram os heróis artistas marciais, acompanhando a tendência da cultura do kung fu e caratê de hollywood.
Nos anos 90 e 2000, você vai ver heroínas ganhando cada vez mais destaques e poder, inspiradas na crescente luta contra o machismo.
Veja, amigo, que em sua história os autores de quadrinhos nunca se deixaram ficar em bolhas, e sempre fizeram parte da vanguarda da cultura pop, reagindo junto às mudanças do mundo ao seu redor. E se você olhar em volta hoje com um olhar um pouquinho menos preconceituoso, faça esse esforço, verá que homossexuais não são criaturas que são vistas apenas de longe porque vivem em Marte e não fazem contato. Eles estão no nosso meio, são nossos vizinhos, nosso professores, nossos colegas de trabalho, se casam e formam família, assim como qualquer outro humano. Por que eles então deveriam ser preteridos de existir também no mundo fictício? Por que um herói gay é só lacração, e não apenas uma representação de pessoas reais, como são os outros heróis?
Eu sou nordestino, da Paraíba. Como tal, sei um pouco do que é não ter representatividade (se não me engano você é do Acre, também deve saber o que é isso). Quando alguém da paraíba disputa um algo de âmbito nacional, a gente tende a torcer por ele imediatamente, independente do mérito, só porque é muito bom se sentir representado com algo bom, e não apenas com matérias sobre seca e fome.
Agora imagina um homossexual, que a vida toda só se viu em caricaturas espalhafatosas de tipos como Vera-verão, Clô, seu Peru, PitPitoca, etc., se ver representado de forma séria por alguém digno e que eleva sua moral e seus iguais? Se você conseguir exercer um mínimo de empatia para imaginar isso, descobrirá o sentido das HQs hoje darem cada vez mais espaço ao LGBT. Assim como foi o sentido de ter dado voz a outras minorias outrora. E quem não vê isso, não entende nada sobre HQs.