Mestre escreveu:
Shin, desculpa, mas seu antipetismo torna seu discurso maniqueísta. Como se quem não odiasse o PT como você só pudesse ser petista, e vice-versa. Não é assim.
O que estou dizendo, de novo, é que já existia, antes mesmo do primeiro mandato do Lula, um discurso de ódio e de repulsa ao PT, emanado especialmente das classes mais abastadas. Esse discurso de ódio e de intolerância tinha raiz parcial em dissonância ideológica, mas também se baseava em considerável ódio de classe e regional. O PT sempre foi, para muita gente, partido de pobre, preto, puta e nordestino.
Esse discurso de ódio nunca sumiu. Estava ali o tempo todo. Como o PT se mostrou um partido corrupto, desde o início da era Lula, e bastante incompetente na condução da política econômica, de 2010 para cá, esse discurso de ódio, que era chama, foi alimentado por um combustível poderoso.
É evidente que tem muita gente que está criticando o governo federal porque ele é corrupto e, de um tempo para cá, economicamente desastroso. Muitas dessas pessoas, aliás, até vinham votando no PT, mas hoje se arrependeram.
Sucede que esse não é o objeto do tópico. Estamos tratando, justamente, da parcela do discurso oposicionista que só sabe destilar ódio e preconceito. É o tipo de discurso que busca ajuda nas merdas do PT, mas que existiria sob outra forma se essas cagadas não existissem. É o discurso de um Reinaldo Azevedo, que não consegue escrever um parágrafo sem xingar alguém do governo de petralha, canalha, anta, ignorante, mafioso. É o tipo de sentimento de quem sequer admite que o Mantega frequente o Sírio. É o discurso de quem chega a passar mal quando vocifera contra a presidente, como vi acontecer repetidamente nas altas rodas paulistanas. Em suma, esse é o discurso de quem nem suporta a ideia de alguém que não achincalhe o PT de forma violenta.
Esse ódio não é normal, por pior que seja o governo do PT. Corrupção e incompetência não é nada que já não tenhamos visto à exaustão. Quem nutre ódio desse porte apenas por ser corrupto um partido não elegeria um Serra ou um Alckmin...
Bom, discordo amplamente de você pelas razões que já expus em resposta a esses mesmos argumentos.
Continuo apontando que essa rejeição antiga ao PT por questões aristocráticas sempre foi mínima e em grande parte fruto do próprio discurso segregacionista do partido, que desde a sua fundação instigou o ódio de classes.
Você pode falar de incompetência e corrupção a respeito dos demais governos anteriores mas é incontestável que embora sempre fossem acachapantes, nunca foram tão graves e incontáveis quanto são hoje sob a égide do PT. E, como se levar o pior lado da política ao paroxismo não fosse suficiente, nenhum outro governo nem de longe lidou com a opinião pública com tanto escárnio quanto o PT faz há tantos anos.
É um governo não apenas corrupto e incompetente ao extremo; é também abertamente segregacionista, irresponsável, mentiroso e populista. Nunca antes vimos tamanha desfaçatez e arresto moral na Presidência da República quanto se vê hoje.
Como já disse ao menos três vezes e repito agora, reduzir a crescente rejeição ao PT hoje a uma luta de classes, vitimizando sempre o partido, é um discurso pequeno, vazio, torpe. Simplesmente não é verdade. A parcela da população mais abastada que o rejeita pelas razões que você citou é uma pequena minoria.
Felizmente para o PT a difusão do conhecimento, e consequentemente a capacidade de enxergar a gravidade dos inúmeros erros e crimes, é maior nas classes mais altas e menor nas mais baixas, estas últimas a maioria. É por essa cegueira cultural dos mais pobres que o populismo funciona. E é por essa razão, não por qualquer outra, que o Lula atingiu o pico de mais de 70% de popularidade e que o PT garantiu para si o quarto mandato consecutivo na presidência. Felizmente para o Brasil, o véu de mentira e fantasia que o partido criou ao longo desses anos caiu por terra com a chegada das consequências de quase dez anos de irresponsabilidade.
No mais, essa discussão se tornou repetitiva. Concordemos em discordar.