Filipe escreveu:
Na verdade na psicologia existe algo semelhante, o nosso amigo psicólogo poderia explicar melhor. Mas existe uma idade em que a criança começa a disputar a mãe com o pai, nesse momento esse laço da mãe com a criança tem que ser quebrado. Pq existem casos da criança começar a dividir todos os interesses da mãe com ela incluindo o interesse por homens.
N sei se vcs tem alguém parecido, mas nem precisa ser gay. Mas menino que é criado em casa só com mulheres sempre fica com 3 jeitos e meio viadinho. Conheço 2 casos assim.
Achar que o ambiente familiar n influência o comportamento da criança é besteira.
Bem, o que o Filipe citou é parte da teoria freudiana conhecida como Complexo de Édipo.
Vou explicar, mas uma coisa tem que ficar bem clara: sobre o comportamento humano e psique, à níveis científicos, tudo é muito inconclusivo, dado que os estudos da mente não possuem nem 200 anos, o que é ridículo do ponto de vista científico - e, por isso, tão imprecisa e com muitas teorias. Como não há precisão. a psiquiatria e a psicanálise não são consideradas ciência, necessariamente - e dificilmente algum dia serão.
Pronto, dado isso, também tem que ficar claro: não é porque não há precisão, que se baseia em pitacos e associações preguiçosas.
Explicando rapidamente o desenvolvimento psicossexual (em fases) baseado na teoria psicanalítica:
- Fase oral, quando a gente nasce, os primeiros estímulos são de via oral, e vai do nascimento à 1 ano e meio / 2 anos.
- Fase anal, de 1 à 3 anos - primeira sensação de controle, com as fezes.
- Fase fálica, a citada pelo Filipe, e a que interessa mais:
Focando no sexo masculino, é o chamado complexo de Édipo, entre os 3 aos 6 anos. Esta fase é MUITO mais importante que apenas a questão sexual (ao menos pra o público leigo) em si, mas REFORÇA (ou enfraquece) comportamentos ligados a liberdade, entendimento de normas, regras... A parte que interessa para esse tópico é que o menino foca na referência paterna uma rivalidade com a mãe. Aqui seria PARA MUITOS onde o menino passa a desenvolver sua sexualidade de preferência - ou seja, opção/ou/determinação devida(o) a um estímulo. O pai seria figura essencial para dar o corte, dizer para criança que ela não pode tudo, e que ele é que detém a Lei. Obviamente, figura paterna enfraquecida, seriam grandes as chances de uma criança sem limites. Quanto ao sexual, seria fundamental para entender a posição de homem.
Mas, tal papel (surprise) não precisa ser feito pelo pai. Nem mesmo por um homem. Mas por quem tome o lugar do pai, assim como quem tome o lugar da mãe. Ou seja, se ele fosse criado por duas mães, uma faria o papel do pai. Se fosse criado por dois pais, um faria o papel da mãe. OU, ele focaria a mãe (ou o pai) em outra figura bem próxima e significatvia, como professor(a), tio(a), amigo(a) dos pais... Etc.
[ADENDO: esse é o argumento pela teoria mais famosa (a da psicanálise) tanto para os que dizem que influenciaria quanto para os que dizem que não influenciaria.
PARTICULARMENTE, para mim não influencia se for um casal hétero ou casal gay, se ambos respeitarem o curso natural (dentro do possível de um conceito conturbado de naturalidade, quando se trata de seres humanos) da criança. O vigente nos congressos é tratar de forma mais direta: É ALGO GENÉTICO, SE NASCE HOMO OU HÉTERO. Eu já discordo, mas não completamente, pois para mim: HÁ COMPONENTE GENÉTICO, mas não é preponderante, POIS AS AÇÕES DO MEIO também ajudam a definir a sexualidade do sujeito. Seria ter pai gay a ação do meio? Não, de maneira alguma. Muitas das nossas preferências são determinadas por eventos bem cabais, num fenda que se abre na vida onde nossa estrutura aceita determinada influência - meio Donnie Darko isso, acho que daí que entendi o filme. EXEMPLO: a escolha de um time de futebol. A criança pode ter sido vestida pelo pai como torcedora do Vasco, tudo do Vice da Gama: roupa, aniversário, fotos no colo de jogadores. Mas um dia, a criança almoçando, depois de vir da escola, olha a TV de longe, sem ao menos ouvir o som, vê a reprise de um gol do Zico, ele correndo em direção a massa rubro-negra (eufórica), e BANG: aquilo é aceptado pela criança e dali em diante ela vira flamenguista.]
Bom, apenas para finalizar o entendimento das fases, vêm:
- Fase da latência, dos 6/7 anos até a puberdade, é onde a criança vai dar uma segurada nos impulsos sexuais e focar nos aprendizados do pai - o do corte.
- Fase genital, a puberdade e onde começam os conflitos resultantes das fases.
Espero não ter ficado maçante e que tenha dado para entender, mas é um assunto delicado e muito divergente, não dá para tomar uma posição como a minha resumindo muito.
E discordem à vontade, o tema é complicado mesmo, rsrs.
Abraço!