RAINMAKER escreveu: 30 Jun 2025 14:41
Dá pra entender porque o Gabigol não jogou nem no Benfica e o Pedro era reserva do Vlahović na Fiorentina. Para o futebol sulamericano eles são Top, porém a intesidade da Europa é outro jogo
O problema nem é talento, é o mesmo caso do Neymar, nível de compromentimento, inteligência de jogo.
O próprio Felipe Luis, se comparado com outros lateriais esquerdos, era bem inferior tecnicamente, porém ele jogou muito tempo na Europa pq sempre foi um cara profissional e inteligente taticamente.
O Wesley é muito bom tecnicamente, corre pra caramba, mas ainda é meio "burro". Luiz Araújo também, se fosse inteligente, saberia que aquele local não era para tentar driblar 4 jogadores. O futebol atual, não tem espaço para um Clodoaldo na Copa de 70.
Nunca vi um camisa 9 no Brasil fazer o gol que o Kane fez, sem olhar onde estava o gol e o goleiro. O cara treina tanto chutes de várias posições, que quando recebeu a bola, ele sabia onde estava, e sabia onde o gol estava. Se ele levanta a cabeça pra olhar pro gol, perder aquele segundo que o zagueiro chega para prensar o chute.
Eu tava pensando nessas coisas ontem...há tempos que eu acho que há uma parte difícil de explicar e quantificar, porque é muito sutil, são detalhes mínimos, coisas pequenas que às vezes passam despercebidas, mas que colocam jogadores tecnicamente semelhantes em degraus muito distintos.
Me lembrei do Rickson falando do "jiu jitsu invisível" dele. Pega tecnicamente o Pedro e o Kane. Não tô dizendo que esse não é melhor do que aquele, mas, bola por bola, questão puramente técnica, não tem essa diferença toda. Mas, quando você analisa o contexto geral, todos os fatores, um está 3 prateleiras acima do outro. Como é que pode isso?
Pega o Suárez, que foi um dos maiores centro-avantes dos últimos 15 anos. Tecnicamente ele não é um craque, ele é até meio durão, cara pesado, perdia gol pra caramba. Os lances individuais dele, como esse último gol contra o Palmeiras, sempre foram mais baseados na força, explosão, do que habilidade. Aquele drible que ele sai trombando, ganhando no corpo, se impondo. Foi um golaço, mas você vê que não é aquele drible "limpo", que sai natural, leve. É um drible pesado, "lento", chorado. Não é virtuoso, é efetivo.
Mas você pega o Suárez, no auge, bota o cara lá na frente, sozinho, o time todo se defendendo, passando sufoco, e ele se vira. Domina um chutão, prende a bola, consegue segura-la até o time avançar, faz o pivô, ganha no alto, briga por todas as bolas, faz a escolha certa, joga com inteligência - quando não tá mordendo alguém rs. Num lance isolado isso não faz muita diferença. Mas, por 90 minutos, essas pequenas coisas vão se somando.
Ai você pega um jogador que tem um pouco mais de explosão e agilidade...o cara ganha aquele meio segundo que permite a finalização uma fração de segundo antes da marcação chegar. O cara que sempre gira pro lado certo, que faz o passe não só preciso, mas no espaço que vai facilitar a continuação da jogada pelo companheiro, o cara que sabe quando acelerar, quando segurar o jogo, o cara que tem a inteligência pra perceber que, mesmo distante, o goleiro tá encoberto por meia dúzia de jogadores, então vale o chute - será que o Goretzka não teve essa percepção ontem? Só se preocupou em colocar bem a bola, o chute foi fraco, mas tinha meia dúzia de jogadores encobrindo a visão do Rossi.
Acho que foi o Filipe Luis que falou como o JJ mudou tudo insistindo nuns pequenos detalhes que nenhum treinador se atentava: "o cara é destro, então o passe tem que ser aqui pra permitir que ele domine a bola e já dê a sequência na jogada"; "quando você tiver aqui, tem que virar o corpo pra lá, porque a marcação não sei o que". E assim por diante.
E outra coisa, num time grande, todo jogador tem que dominar todos os fundamentos do futebol. TODO jogador tem que saber finalizar. Tem que saber cabecear uma bola, ofensiva e defensivamente - aqui um pereba como o Barbosa foi o principal atacante do país por anos sem saber cabecear uma bola. E quando eu digo "não saber" não é força de expressão. Ele parece jogador de VÁRZEA cabeceando uma bola. Uma parada constrangedora. Pega um transeunte qualquer, cruza uma bola pra ele, e não vai ter muita diferença pro Barboza "cabeceando". Ele simplesmente não faz ideia de como cabecear uma bola. Não sabe. O fundamento não existe ali. Domínio de bola, proteger a bola, passes, pelo menos os curtos, etc. Essas coisas todo o jogador em campo tem que saber fazer. E todo jogador tem que ter força física.
Aí você tem 11 jogadores que tem esses pequenos diferenciais em relação aos demais e parece que a superioridade é muito maior do que efetivamente é a superioridade puramente técnica. A gente nem consegue perceber essas sutilezas, mas quem tá envolvido com o futebol pesca. Assim como o "JJ invisível" do Rickson.