Leeo escreveu: 20 Fev 2018 14:14
Mas aí não é rap!
O samba que não é "de raiz" é pagode.
O sertanejo que não é "de raiz" é sertanejo universitário.
Pq o rap que não é "raiz" tem que ser rap?
Esses caras aí são todos pop, rapper eles não são não.
Facção, RZO (das antigas), Racionais (das antigas),
Sabotage, GOG, Realidade Cruel, Faces do Suburbio etc, não fazem o mesmo som que esses caras de hoje, não é o mesmo estilo.
Tião Carreiro é do mesmo estilo do Luan Santana?
Cartola é do mesmo estilo do Thiaguinho?
Sepultura é do mesmo estilo do NX Zero?
Então esses caras novos não são do mesmo estilo dos antigos.
Chegou num ponto que eu queria: Sabota.
O Maestro do Canão morreu com um CD lançado apenas, não considero a trilha do Invasor como exatamente um álbum da discografia do Maurinho. Discografia curta demais.
Vou ser crucificado pelo que vou escrever, mas não tivesse tomado 4 tiros o Sabota hj estaria sendo taxado de moderno demais, até de pop.
o cara foi um meteoro. Já tinha atuado em dois filmes, acertado a prosódia dos diálogos de um, inclusive. Era presença em Altas Horas, era já ouvido por playboys e tava começando a experimentar musicalmente.
Tu falou do RZO e colocou das antigas entre parênteses. Hoje, não tenho dúvidas que fariam o mesmo com o Sabota. RZO começou a flertar com outros ares quando o Helião e o Sandrão começaram a andar com o Chorão.
Aí tu vê, Cantando pro Santo é um clássico. Parceria entre Sabota e Chorão...
Na trilha do invasor o Sabota começou a flertar até com eletro. Aracnídeo, em parceria com o Insitituto, tem elementos de eletro na track. Em nada lembra o rap oldschool.
Não tenho dúvidas que o Sabota estaria experimentando o trap. Acho que, inclusive, teria feito uns lovesongs estilo 3030, mas com uma pegada mais favela - que era dele.
O que quero dizer é que a gente tem que separar o que é novo, o que é experimental e o que é ruim mesmo.
Novo nem tudo é ruim. Bloco 7 faz um som que lembra mais o rap bandidão, mas po, entraram numas de tretinhas com o Damassaclan - mais especificamente Costa Gold - e se a gnt critica a molecada do Costa por isso, não pode passar um pano pra BK e Bril, pois estão no mesmo rolo.
Haikaiss é relativamente novo, mas não vejo tão som playba assim. Tem umas ideias legais em algumas tracks, são apenas garotos que fumam um e viram todos os gorós em outras, mas no geral vejo como muito mais interessante e consistente que Costa Gold, que é da mesma banca. O Qualy é um poeta, faz versos bons de vdd.
Na tudubom records o mão lee e o ret fazem sons irados, mesmo o ret hj só falando de si mesmo.
O Criolo anda experimentando pra caramba, tem trampo q foge do rap totalmente, estilo o Brown fugiu no Boogie Naipe.
Já Costa Gold acho ruim mesmo. O Nog até tem flow, mas para aí. E salva uns beats do Lotto tbm. Só.
Colocar todos no mesmo balaio é foda.
O rap evoluiu, a música evoluiu, tudo evoluiu. Era natural q isso acontecesse. Só queria ver como o cara mais inovador do começo dos anos 2000 seria visto hj, não tivesse morrido na crocodilagem. Algo me diz que muita gente que trata o Sabota como vanguarda o trataria diferente.