Batman escreveu: 09 Fev 2018 15:47
Assim que tiver tempo darei uma olhada com calma nos seus posts anteriores então. Em meio dia vcs postaram 6 páginas de conteúdo gigante kk
Ele se referiu ao tópico onde discutimos moralidade:
https://bjjforum.com.br/forum/viewtopic.php?t=16730
São 19 páginas. Mas vou poupar teu tempo:
Lá eu apresentei cinco silogismos que não foram refutados nem na forma nem nas premissas, ambos verificáveis.
Falei sobre cognoscibilidade da verdade e auto-contradição de toda e qualquer proposição ceticista, agnóstica ou relativista em epistemologia.
Falei depois que o exclusivismo religioso não é arrogante como dizem, mas o resultado da lei da não-contradição em duas ou mais religiões.
A maioria concordou com as duas linhas acima, e negou ter um dia duvidado. Mas os quotes estão lá provando que mudaram de opinião sem admitir.
Depois disso eu apresentei um argumento axiológico para a existência de Deus, demonstrando a impossibilidade de ter valores e deveres morais absolutos e objetivos sem um legislador transcendental. Muitos responderam que a evolução biológica e neurociência explicam, ou a construção histórico-cultural, Kant, Mill e outros admitiram usar uma moral relativista para julgar outras pessoas. Eu respondi que essas tentativas eram insuficientes por caírem em especismo, relativismo durante a transição entre duas épocas, por cometerem petição de princípio, contradições, etc. e apontei cada erro. Após isso abandonaram a questão sem ter resposta e me acusando igual aqui.
Em terceiro lugar fiz duas defesas da teodiceia, uma a partir da teoria dos mundos possíveis, mostrando que o mundo real não é o melhor imaginável, mas é o melhor possível. A outra a partir do paradoxo de Epicuro, explicando cada possibilidade e suas implicações. Ninguém conseguiu demonstrar falha no raciocínio além do clássico "discordo porque sim".
Também analisei biblicamente, conforme alguns pediram, se o amor bíblico era de fato superior, se era incondicional da perspectiva humana, divina, e se a moral kantiana era superior. Como os oponentes usaram pressupostos bíblicos falsos, tive de corrigi-los. Após isso não reformularam a crítica, e portanto não falei mais sobre Kant.
Enfim, analisei se o argumento que levantaram dizendo que inexistir era melhor que existir e que se Deus existe eu deveria decidir se queria vir a existir ou não, e Deus arbitrar isso sem me consultar era errado. Mostrei ainda no argumento 3 que falar significativamente sobre moralidade a partir da inexistência é impossível. E no quatro mostrei que se eu prefiro inexistir, sem Deus a escolha é minha em arbitrar meu próprio fim. Mas se Deus existe, tenho duas opções: tentar responder 1 e 2, ou arbitrar minha inexistência. Responderam que se assim fosse teriam de encarar o julgamento divino. Mostrei que isso era reconhecer a soberania do criador. Disseram que reconhecer e concordar é diferente. Daí caíam de novo na questão 2 e 3.
Os colegas defendiam:
1. O pluralismo religioso como sendo mais coerente que o particularismo religioso
2. A possibilidade de um padrão moral absoluto sem Deus
3. O melhor mundo possível como sendo ou um mundo inexistente ou um mundo sem sofrimento
4. A possibilidade de arbitrar a própria existência sem precisar crer em Deus e sem sofrer por isso
Eu defendi:
1. O particularismo religioso
2. Um padrão moral absoluto transcendental
3. A teoria do melhor mundo possível como resposta a teodicéia
4. A impossibilidade de arbitrar a existência sem ser incoerente com a própria definição de moralidade
O argumento 1 defende que o pluralismo religioso é impossível:
1. A lei da não-contradição diz que existir é não inexistir, ou que duas afirmações contraditórias não podem ser verdadeiras ao mesmo tempo.
2. As religiões afirmam coisas contraditórias em relação umas com as outras em suas doutrinas centrais
3. Logo, se uma religião for verdadeira, todas que se opõe a ela são falsas.
1. A lei do meio excluído diz que ou A ou não-A, mas não ambos, ou seja, essa lei afirma que se A é verdade, então todo não-A é falso. .
2. O Cristianismo defende que A é verdade.
3. Logo, se A for verdade, tudo que se opõe a ele é falso.
O argumento 2 defende a necessidade de Deus para uma base moral objetiva:
1. Se Deus não existe, também não existem valores nem deveres morais objetivos.
2. Valores morais e deveres existem.
3. Logo, Deus existe.
O argumento 3 demonstra que não existe problema moral algum com a coexistência de Deus e do sofrimento:
1. Se Deus é onipotente, ele pode acabar com o mal, e se Deus é onibenevolente ele quer acabar com o mal.
2. Mas o mal ainda existe.
3. Logo, Deus ainda irá acabar com o mal.
Deus poderia ter feito:
(1) Absolutamente nenhum mundo.
(2) Um mundo sem criaturas livres.
(3) Um mundo em que criaturas livres não pecariam.
(4) Um mundo em que criaturas livres pecariam.
(5) Um mundo em que criaturas livres poderiam pecar mas não o fariam por livre e espontânea vontade.
Dentre os mundos possíveis o melhor mundo é o (4), que levará consequentemente ao (5).
O argumento 4:
4.1 Se Deus não existe ele não pode ser acusado de causar minha existência, logo a minha existência é fruto da natureza e a opção de inexistir é minha e não tem consequências eternas.
4.2 Se Deus existe ele é a causa final da minha existência, e nesse caso tenho duas opções:
4.2.1 Continuar existindo
4.2.2 Deixar de existir
4.3 Em todo caso, é impossível arbitrar a própria existência sem ser incoerente, porque se eu não creio em Deus posso muito bem me suicidar e botar a culpa de qualquer mazela na natureza, na evolução, no mundo material. E se eu creio em Deus, ao escolher a existência aceito implicitamente minha contingência e o padrão moral objetivo de Deus, mas se creio em Deus e quero inexistir, ou devo negar que Deus seja o padrão moral objetivo e apresentar outro padrão moral ou devo demonstrar que o mundo existente não é o melhor mundo possível. Eu voltaria para as questões 2 e 3, respectivamente. A única saída coerente nesse caso seria negar a existência e voltar para 4.1 ou dar uma resposta viável a 2 e 3.
Concluí:
1. O exclusivismo religioso depende das leis da lógica, em especial a lei da não-contradição, e sua negação além de ser autodestrutiva ainda cai no mesmo erro que acusa
2. A única forma de definir bem ou mal objetivamente é adotando um padrão moral absoluto baseado em Deus, e se você negar isso estará adotando o subjetivismo moral; nesse caso sua crítica da moralidade cristã estaria vazia de sentido, pois num mundo relativista tudo é permitido, inclusive a moral cristã
3. A teoria do melhor mundo possível responde o problema do mal e explica satisfatoriamente a todas as questões.
4. Arbitrar a própria existência sem ser incoerente é totalmente impossível, já que sem Deus posso suicidar-me, e com Deus eu estaria irremediavelmente de volta as questões de números 2 e 3.
Se quiser ler as 19 páginas, vá lá. Mas a ideia foi essa. E não vou responder nada aqui que já não tenha sido respondido lá.
Tanto lá quanto aqui nenhum dos colegas que discordaram mostraram erros silogísticos ou nalguma premissa de qualquer um deles. Eram apenas argumentos emocionais ou retóricos, usando uma moralidade não-fundamentada.
No final das contas me acusam de ser arrogante e mente fechada, mas os argumentos estão aí, sem nunca terem sido refutados e, mesmo que fossem, sem nunca apresentarem proposta melhor.
O objetivo não é provar nada, forçar ninguém, apenas expor pessoas que dizem não existir argumentos, ou que confundem silogismo com premissas empiricamente verificáveis, e demonstrar que a fé cristã é racional, tem uma boa dose de razoabilidade, ao contrário do que dizem alguns, como se ela fosse um completo absurdo sem fundamentação válida alguma. E admitir que uma fundamentação é válida não significa concordar com ela. Apenas admitir que é uma opção viável, como o colega armlock expôs acima.
No campo das possibilidades, a fé cristã é válida.
Espero ter poupado tua pesquisa.
Ps: tinha uma figura lá com sua análise sobre o paradoxo de Epicuro, mas parece que apagaram. Tinha certeza que estava naquele tópico, mas devo ter colocado em outro.
Achei:
viewtopic.php?f=20&t=17717&p=1043139&hi ... o#p1043139