JackmAtAll escreveu: 16 Mar 2018 17:22
Pelé-58, Ronaldo-94, Kaká-2002. Por que não Vinicius Jr. na Copa em 2018?
Pelé foi convocado para defender a seleção brasileira na Copa do Mundo da
Suécia, em 1958, aos 17 anos. Na reserva nas duas primeiras partidas, estreou
contra a União Soviética, no decisivo confronto da primeira fase. Não fez gol nos 2
americano, mas aprendeu o que é um Mundial ao lado de atletas diferenciados
como Romário e Bebeto. Por três vezes, depois, foi o melhor do mundo pela Fifa
(1996, 1997 e 2002), e atuou nos principais clubes do mundo.
Em 2002, ano do Penta, Luiz Felipe Scolari apostou em um meia-atacante de 20
anos que havia surgido nem seis meses antes. O são-paulino Kaká foi convocado
para o Mundial do Japão e da Coreia do Sul, atuou alguns minutos na vitória sobre
a Costa Rica (5 a 2), último jogo da primeira fase em que nada valia para o Brasil.
Cinco anos depois, no Milan, Kaká foi eleito o melhor do mundo pela Fifa.
Em 1958, Pelé era uma aposta. Havia potencial, mas quem poderia cravar que
seria o melhor da história? História que, como apresentado, mostra que a seleção
brasileira sempre deu espaço a garotos projetos de craques em Copas do Mundo.
E, coincidentemente, quando fez isso levantou o caneco. Nesse ponto chegamos a
Vinicius Jr.
Aos 17 anos, o atacante começa a encantar. O flamenguista fez os dois gols da
virada sobre o Emelec
na
primeira vitória de seu time na Libertadores-2018, e ganhou manchetes, elogios e
até campanha de torcedores da equipe do Rio para que o Real Madrid pague mais
pelo atleta.
(R$ 182 milhões), em uma transação cara para um atleta de
então 16 anos, mas que pode se tornar uma barganha se o garoto se transformar
em fenômeno. Vinicius deve ir para Madri somente em agosto de 2019, apesar de
que, se assumir a titularidade ainda esse ano, não seja impossível o Real solicitar,
com a anuência do atleta, a antecipação da viagem.
Vinicius já teve chance em seleções de base da CBF, algumas vezes acabou
cortado de eventos justamente por já fazer parte do profissional do Flamengo e
estar vendido ao Real Madrid. Na principal, nem foi cogitado. Há opções mais
experientes em melhor fase do que ele atualmente? Sem dúvida. Tite tem apostado
em jogadores que tem qualidade e, principalmente, que ele confia.
Mas por que não dar chance em uma Copa do Mundo a um garoto que se
apresenta como candidato a fenômeno? Vinícius conviveria com ídolos, como
Neymar, e ganharia experiência em um Mundial como Pelé, Kaká e Ronaldo. Não
Pelé-58, Ronaldo-94, Kaká-2002. Por que não Vinicius Jr. na Copa em 2018? -
se sabe se ele será o protagonista em 2022, no Qatar, mas se não houver uma
lesão mais séria e se a cabeça ajudar, é provável que esteja lá. Imagine se já tiver
uma Copa nas costas?
Tite não vai levar Vinicius Jr. O técnico tem o grupo praticamente fechado e, podese
argumentar, levar um garoto tão cru queimaria um lugar no limitado número de
20 jogadores de linha que serão chamados. Imagine um Brasil x Alemanha, na
final da Copa, e a pressão sobre o garoto se precisar ser a solução? Pode-se usar
esse argumento, mas que vale também para outros atletas que devem ir, como
Firmino, Taison e até Philippe Coutinho, que jamais aturam em uma Copa.
O imediatismo acaba pesando em qualquer decisão técnica. O objetivo de Tite é
vencer a Copa de 2018 na Rússia, que começa em junho. Para isso, ele vai levar
as armas que considera as melhores, talvez sem dar espaço a testes ou para esse
ou aquele ganhar experiência para 2022, afinal vai saber se Tite estará lá. Mas em
1994, o Brasil estava há 24 anos sem levantar a taça, e Parreira apostou em
Ronaldo, sabendo que dificilmente iria usá-lo. O mesmo com Felipão em 2002,
com Kaká.
Por que não com Vinicius Jr em 2018? Neymar, por exemplo, perdeu essa chance
em 2010, quando Dunga optou por não levá-lo (e nem seu companheiro de Santos
na época, Paulo Henrique Ganso, apesar de clamor nacional) ao Mundial da África
do Sul. Quatro anos depois, em 2014, o atacante do PSG precisou ser o ''cara'' do
Brasil na Copa em casa, estreando em um torneio no qual já poderia ter
experiência.
PS: Como nem sempre tudo dá certo, ao menos uma vez um treinador de seleção
brasileira, Sebastião Lazaroni, apostou em um jogador jovem para uma Copa do
Mundo e ele não vingou: Bismarck, do Vasco, aos 20 anos foi para a Itália-90 com
status de candidato a craque.
Não entrou em campo naquele Mundial, nem em nenhum outro. Fez uma carreira
discreta, encerrando no futebol japonês, onde foi ídolo, em 2005.
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Começou o movimento popular, Rei Gueba Jr na copa!
Sensatez não falta a imprensa nessa hora