Mestre escreveu:
Desculpe-me, você pode justificar como quiser, mas o ódio ao PT é algo que antecede, e muito, ao primeiro governo Lula. Eu, que tenho 29 anos, lembro desse ódio desde que eu era criança. Existia até um falso formulário de admissão ao PT, supostamente engraçado, mimiografado e largamente distribuído, que associava o partido a analfabetos, bandidos, nordestinos, operários...
O que eu quero dizer, e que até o Bresser Pereira reconheceu uns dias atrás, é que o PT sempre foi alvo de um agudo ódio emanado das classes mais abastadas.
Hoje em dia, com tudo o que veio à tona, poucas pessoas defendem o PT como instituição. Nem esse é, obviamente, o intuito do texto postado. O preocupante disso tudo, na verdade, é ver que o discurso neoconservador tenta desqualificar o voto no PT em virtude de ele vir, maioritariamente, das classes mais baixar. Veja: votar no PT é ruim por vários motivos. O principal argumento utilizado por vocês, contudo, é aquele que, de algum modo, procura dar vazão ao ódio de classe. Não à toa, aparte a temática da corrupção, todos os demais argumentos antipetistas se vinculam às políticas sociais, buscando construir a imagem de um eleitorado petista pobre, indolente, ignorante e usurpador, responsável pelo atraso do país. Desonestidade intelectual em seu estado puro.
No mais, dizer que a divisão de classes da sociedade brasileira foi fomentada pelo PT é ignorar 500 anos de história. Afirmar que nosso povo não era dividido desde sempre, com interesses imediatos (frise-se: imediatos) completamente antagônicos, é fechar os olhos ao fato de nossa desigualdade social ser uma das maiores do mundo. Essa desigualdade abissal, além de injustificada, é completamente responsável por sermos uma sociedade violenta e conflituosa em si. É fácil defender a paz social quando ela se calca no silêncio dos oprimidos e na manutenção de seus privilégios...
Por fim, apesar de o analfabetismo funcional assolar todas as classes, seria bom que o pessoal entendesse o cerne do texto. Não se está defendendo o Mantega ou o PT; em verdade, a crítica é relativa às crescentes virulência e intolerância dos dois lados do embate. Há forista até planejando sair na porrada na próxima manifestação...
O ódio ao PT é anterior à eleição do Lula, sim, mas não era nem de longe tão grande quanto hoje e nem se deve, ao contrário do que você quer fazer crer, a um protecionismo próprio das classes mais altas. E teve uma brusca queda entre a segunda metade do primeiro mandato e a primeira metade do segundo mandato, ambos do Lula, quando ele registrou popularidade recorde de mais de 70%, o que evidencia que esse asco ao PT é um processo crescente e decorrente dos governos deles mesmos.
A ojeriza que o PT criou para si desde antes da eleição do Lula já era oriunda dessa incansável propaganda da guerra de classes que o partido fomenta. Quando se fala em ódio ao PT se fala em ódio a tudo o que ele representa, desde o populismo, o caudilhismo, até a mentira, a propaganda enganosa e a manipulação das massas.
Se existiram peças difamatórias contra o PT no passado, como você disse, é muito mais verdade que nunca se promoveu - e às custas do dinheiro público e da força do estado brasileiro - tamanha perseguição à oposição de ideias e de governo como o PT faz hoje de posse do governo federal. Para ficar em apenas um exemplo disso, enquanto para atacar o PT há um único termo amplamente difundido - petralhas -, para atacar qualquer um que contradiga o petismo, há uma coleção quase incontável de adjetivos abjetos, a maioria deles forjada pelo próprio movimento partidário e, portanto, não de origem popular - coxinhas, vira-latas, manipulados, reginas e etc -, além do maniqueísmo tacanho de vincular qualquer indignação popular genuína contra o petismo a um partidarismo afeito aos tucanos, como se premeditada fosse.
Não é, portanto, um movimento contra uma suposta preferência aos pobres por parte do PT - até porque nem isso é verdade, já que cenário econômico nenhum é mais favorável à concentração da riqueza quanto crescimento baixo, juros altos, baixíssima qualidade da educação e um governo que protege cartéis, oligopólios e monopólios. O ódio ao PT é o despertar crescente da sociedade brasileira - de todas as classes, mesmo que começando pelos mais esclarecidos - contra um partido que usa da força do estado e do dinheiro público para instituir o maior sistema de clientelismo eleitoral da história desse país, explorando a necessidade e ignorância dos mais pobres para benefício do seu projeto de poder e de seus interesses particulares. Como ficou comprovado agora, com essa crise, o PT não ajudou as classes mais baixas; as enganou enquanto pôde, sempre mantendo-as na órbita dos seus interesses políticos. Quando o diversionismo econômico petista ficou impedido por conta da crise, o conto de fadas da propaganda goebbeliana do partido se desfez.
Reduzir a crescente ojeriza atual da sociedade brasileira ao PT a uma suposta luta de classes, além de ser exemplar do que dita a cartilha petista, é um argumento deveras tacanho diante de toda a miríade de atrocidades políticas, econômicas e sociais que esse partido comete a cada dia. É proselitismo petista em seu estado puro.