BFS escreveu:
Se o Marco Aurélio soltou, é pq teve embasamento jurídico pra isso, então o bruno tem todo o direito de voltar a trabalhar.o boa esporte está no seu direito de contratar ele, pode ser imoral mas é legal, o problema é que o povo é ignorante demais e acha que entende de direito assistindo Datena e Marcelo Rezende e não é bem por aí. a população tem cobrar é do congresso para que se mude as leis penais e não com o boa esporte.
Poxa cara,
Então você deve achar o nosso Congresso Nacional uma maravilha, porque ele sempre dá um jeitinho de legalizar as mais variadas situações e condutas, por mais absurdas que possam nos parecer sob o ponto de vista da moralidade, e, diga-se de passagem, quase sempre o fazem por meio da Suprema Corte, que simplesmente revê entendimentos e a sua própria interpretação anterior com uma facilidade tremenda. Por que será, né?! E digo mais: talvez o maior mal do Brasil em âmbito político-administrativo seja justamente essa concepção deturpada de que, na prática, a legalidade "deve" prevalecer sobre a moralidade, vez que tal conceito é nada menos do que o alicerce para eximir verdadeiros facínoras da administração pública quanto aos mais "criativos" disparates. Não fosse o bastante, também dá azo para que estes persistam com suas "legalidades", aprimore-as e ainda as façam servir de base para novas modalidades de se fazer "o errado que tá certo".
Concordo que muito leigo fala besteira com base em opinião de ignorantes, em se tratando de legislação e Direito, mas acho muito mais feio quem é do meio jurídico se portando tal qual aluno de primeiro ou segundo ano do curso, que por aprender um ou outro conceito dos mais simplórios já se acha, no entanto, "o jurista", a ponto de se permitir entender que ditames meramente técnicos seriam mais valiosos do que ideais e princípios que fundaram todo um sistema e são a razão do existir do ordenamento jurídico como um todo. Pior ainda quando a discussão em questão não esteja presa a um limite processual ou mesmo essencialmente material, até porque o nosso legislativo é bastante duvidoso em termos de real isenção. Inclusive, tem faltado a muitos dos nossos magistrados justamente essa noção de que ele é mais do que mero aplicador da lei, mas sim, quem visa, fundamentalmente, a justiça, que é muito mais do que leis e processos.
Note que não estou apontando uma crítica pessoal a você (até porque não te conheço), observação que desde já faço principalmente por conta do parágrafo anterior, todavia a sua posição/postagem, com todo respeito, enseja tal resposta, ainda mais hoje em dia, em que o curso de Direito está tão saturado, formando tantos e tantos péssimos - mas soberbos - bacharéis, e, ao mesmo tempo, as pessoas têm tanto espaço para difundirem as mais variadas opiniões, contudo, sem qualquer restrição relativa à bagagem destas para tanto, seja ela acadêmica, profissional ou mesmo experiência de vida. Penso que é de uma pequenice tremenda deixarmos que nossos valores e princípios sejam postos de lado por força de definições e conceitos de um sistema legislativo e jurídico, ambos podres, pois mesmo o segundo, em que pese outras fontes, decorre objetivamente das leis, e uma vez que o porquê da podridão do legislativo não demanda maiores comentários, o jurídico acaba o sendo por consequência (legalidade, influências,
lobby, politicagem...), infelizmente.
Portanto, embora eu respeite a sua e outras posições contrárias e saiba muito bem que a vítima não era "flor que se cheirasse" (algo ridículo e dispensável que muitos querem forçar por conta do crime, entretanto desnecessário, afinal, por óbvio que de forma alguma justificaria a atrocidade cometida pelo goleiro e seus comparsas), devo dizer que o inconformismo do pessoal quanto ao caso Bruno e a sua pitoresca cara de pau é dos mais justos, compreensíveis e válidos, mais ainda porque trata-se de um caso explícito de efetiva impunidade diante da barbárie cometida, que mesmo com toda a repercussão midiática acabou sendo só mais um dos muitos outros casos que aconteceram e acontecem neste nosso país. Justa a fama de ser o país da impunidade, dos absurdos, onde a forma vale mais do que o conteúdo...
...Onde a legalidade prevalece sobre a moralidade!