alexvozao escreveu:
obg por responder, mas a minha pergunta sobre o criador não foi se ele existia, mas considerando a possibilidade de existir porque adotar o "Deus Cristão" como esse criador, porque aceitar que a Bíblia é a palavra de Deus, escrita com inspiração divina? falam muito que Deus é metafísico e não podemos compreender muitas coisas e etc, então como ele foi parar na Bíblia? vejo muitos argumentando a existência de um criador por n motivos, mas pouco vejo argumentos significantes para a existência do Deus específico Cristão, algum cristão pode falar sobre isso? Vejo muitos teístas citando motivos para existência de Deus mas não explicam porque é o Deus Judaico-Cristão, é uma explicação mais ligada ao deísmo, para quem quer acreditar em um ser supremo não seria mais lógico ser deísta como Newton?
Tem uma resposta do Mário q eu gosto muito. Vou transcrevê-la parcialmente. Para quem quiser a íntegra, está no Tema VII, Anexo 2 da obra "Tratado de Simbólica".
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Da maneira que o cristianismo vai se distinguir das outras religiões, não nos aspectos propriamente teológicos, onde há um ponto comum em todas as religiões como a simbólica pode mostrar, mas tem também seus pontos de diferença que o torna especificamente distinto, único na história, porque é a única religião que atingiu até hoje, que conhecemos historicamente, que não depende de raça nem do ciclo cultural. A prova está é que o cristianismo surgiu entre os judeus, veio se adaptar melhor em outro ciclo cultural que não o judaico, ao qual o judaico pertence. Não é uma religião de raça, nem de classes, nem um produto econômico, é apenas a religião que surge de uma revelação através do próprio homem. Por isso o seu Deus teria de ser de certo modo humano; apresenta a sua própria divindade como encarnada também no homem. Esse sentido de
encarnatio é tremendamente profundo. Mostra que o cristianismo, o que muitos julgaram uma fraqueza, é precisamente a sua força, porque as outras religiões pairaram fora do homem, pairaram apenas no desmerecimento do homem, daí todas as religiões porem o homem num estado secundário, como uma coisa movida pelos deuses, como algo que é determinado, como um ser que tem apenas de fazer o sacrifício de si mesmo para chegar a divindade, quando o cristianismo nada disso pede, ao contrário, o cristianismo se realiza pela superação humana, que é pela purificação da vontade, pela clareza e pela acuidade do entendimento e pelo acrisolamento do seu amor. O cristianismo pede ao homem que seja perfeito naquilo que o homem tem como próprio, quer dizer, é a superação do homem, é uma religião de superação do homem. O homem tanto se aproximará da divindade à proporção que se torne perfectivamente mais homem.
Esta é a grandeza do cristianismo e também a razão porque será uma religião que não depender do ciclo cultural, este pode desaparecer e o cristianismo continuará sendo uma religião do homem. É a única religião que pode consequentemente ser "católica", isto é, ser universal ("católica", em grego, quer dizer universal), é a única religião que tem o caráter ecumênico, é a única religião que poderá ser de todo o homem para todo o sempre, é uma religião que não vai jogar o seu destino com o destino dos ciclos culturais e das civilizações.
Esta é a grandeza que o cristianismo tem, grandeza que os seus adversários pode não reconhecer, mas que a tornará para sempre uma religião viva e consequentemente uma religião pela qual podemos e devemos lutar, porque é realmente a única que pode oferecer ao homem uma solução para os seus mais angustiosos problemas interiores.
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Espero ter ajudado um pouco.