Uma materia de 2009, quase 10 anos atras:
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Dom , 18/01/2009 às 23:00 | Atualizado em: 19/01/2009 às 00:18
Ocupação desordenada ameaça natureza em Morro de São Paulo
Cristina Santos Pita, da Sucursal Sto. Antônio de Jesus
O aumento no fluxo turístico ocorrido nos últimos 10 anos em Morro de São Paulo, distrito do município de Cairu (a 308 km de Salvador), no baixo sul do Estado, mais exatamente na região conhecida como Costa do Dendê, gerou uma ocupação desordenada que vem ameaçando o meio ambiente na região.
Devido à beleza de seus atrativos, os estrangeiros atracaram na ilha e acabaram instalando pequenos negócios, e visitantes de todas as partes do País se encantaram com a natureza e resolveram ficar. Além disso, a decadência das fazendas de cacau na região fez trabalhadores migrarem de várias cidades para Morro de São Paulo em busca de emprego.
A maioria dos moradores que permaneceu na ilha vendeu suas casas no povoado e nas praias, indo viver no Morro da Mangaba ou no local conhecido como Buraco do Cachorro.
Nessas localidades, no outro lado da vila, locais que deveriam ser preservados foram transformados em áreas desordenadamente habitadas e acabaram se transformando em bairros típicos da periferia, a exemplo do Buraco do Cachorro, hoje chamado de Nossa Senhora da Luz.
“Moro aqui há mais de 15 anos e ver a lagoa poluída é triste”, disse o informante turístico Clarindo Ferreira, referindo-se à Lagoa do Morro da Mangaba, que também sofreu assoreamento.
Atualmente, a água não serve nem para lavar roupas, mas é o local que os animais encontraram para beber água. “A recuperação da lagoa e de outras áreas degradadas estão no projeto de requalificação urbana do Morro”, garantiu o secretário de Planejamento e Meio Ambiente de Cairu, Isaías Ribeiro.
O Riacho da Biquinha, na Fonte Grande, que corta a ilha e deságua no mar, também sofreu impacto. O que já foi um caudaloso riacho foi se encolhendo e diminuindo por conta das construções que foram erguidas sem nenhum controle sobre o leito e margens do riacho.
O prefeito de Cairu, Hildécio Antônio Meireles (PMDB), garante que a situação está controlada e o turismo começa a ser planejado.
“A ocupação urbana desordenada ocorreu há 20 anos, mas conseguimos controlar porque nos últimos anos não se expandiu para outras áreas. Mas temos falta de recursos financeiros. Muitos gestores deixaram o local à vontade. Hoje temos uma maior fiscalização e controle da ocupação. Estamos com uma melhor estrutura, monitorando a atividade, fiscalizando os empreendimentos. Há um planejamento do turismo, inclusive com a capacitação da mão-de-obra local que pode ser absorvida pelos empreendimentos”, disse.
Turistas – O turismo em Morro de São Paulo é sazonal, concentrado na alta estação. No mês de janeiro há um fluxo de mais de 120 mil visitantes, número 35 vezes maior que o da população do município, que é de 3,8 mil moradores. Logo após o Natal, os visitantes começam a chegar e ocupam os seis mil leitos disponíveis em hotéis e pousadas.
Alguns turistas se queixam da falta de uma identidade visual que caracterize a ilha como localidade turística. “Tem muito camelô espalhado pelos cantos, pendurando roupas e acessórios pelas muralhas dos morros. Falta melhorar o visual do lugar”, reclamou o gerente de marketing Mitchel Scharfstein. A opinião é compartilhada pela industriária Rosângela Marques. “As praias precisam de um ordenamento e deveriam estar bem-cuidadas”.
Segundo o vice-prefeito de Cairu, Zeca Ribeiro (PP), o número de comerciantes é limitado. “A quantidade está sendo fiscalizada. Quem não comprovar que é morador e nem tiver autorização, não poderá trabalhar”.