o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

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PHDookie
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o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por PHDookie » 03 Jan 2018 18:05

De pé em meio ao frenesi dos flashes disparados em sua direção, o lutador anuncia com os olhos marejados sua aposentadoria imediata. "Desculpem-me do fundo do meu coração", ele diz após se curvar e permanecer nessa posição por um longo tempo.
Harumafuji é um grande campeão do sumô, conhecido em japonês como yokozuna. Em 25 de outubro, ele agrediu um lutador mais jovem em um bar, fraturando seu crânio, um caso que foi alvo de um inquérito policial e permaneceu nas manchetes por semanas.
O atleta, de 33 anos, chegou a pedir desculpas pelo ocorrido e decidiu se aposentar do esporte, mas foi acusado formalmente de agressão na última quinta-feira. Ele deve pagar uma multa, em vez de ser julgado em um tribunal.
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De acordo com relatos, Harumafuji teria ficado furioso quando tentou dar conselhos ao rapaz e este continuou olhando o próprio celular.
O incidente reacendeu uma discussão sobre o esporte nacional do Japão, e não é a primeira vez que algo assim acontece. Há uma década, a reputação do sumô entrou em crise quando um rapaz de 17 anos que treinava para ser lutador morreu após levar uma surra com uma garrafa e um taco de baseball.
Os agressores eram seus toshiyoris, ou anciãos, como são chamados os ex-lutadores que assumem posições de autoridade, podendo ser treinadores e gerentes de um ginásio de sumô.
Em 2010, o esporte levou um novo golpe com a descoberta do envolvimento de um atleta e de um treinador em um esquema ilegal de apostas em partidas de baseball que teria ligações com a máfia japonesa, a yakusa.
No mesmo ano, o mentor de Harumafuji, o grande campeão mongol Asashoryu, deixou o sumô após se envolver, embriagado, em uma briga do lado de fora de uma boate na capital do país, Tóquio. Depois, vieram à tona provas da combinação prévia de resultados na segunda divisão do esporte.
Seriam sinais de que o sumô está em declínio e que a disciplina que um dia o definiu está em decadência? Ou será simplesmente que, após 15 séculos, o lado obscuro do esporte está finalmente vindo à tona?
'Os mongóis estão chegando'


© BBC Ginásios são regidos por uma hierarquia bem rígida (Foto: Getty Images)
Uma forma de responder essas questões é olhar para a origem do esporte e para o duro regime de treinos ao qual os lutadores são submetidos.
Ainda que o sumô tenha surgido a partir de rituais de templos japoneses entre 1,5 mil e 2 mil anos atrás, o país não domina mais o circuito internacional da luta. Até a aposentadoria de Harumafuji, havia quatro grandes campeões. Três deles, inclusive o do agora aposentado Harumafuji, eram da Mongólia.
Rússia, Havaí, Samoa e países do leste europeu costumam enviar lutadores promissores para os ginásios de sumô do Japão, locais em que mestres treinam adolescentes na arte que um dia foi a grande atração das cortes imperiais da nação asiática.
O sumô não é apenas um esporte no país. É uma cerimônia que abre uma janela para o passado, calcada na tradição e na essência do que é ser japonês. Rituais rígidos estabelecem um código de conduta, e ser nascido no exterior não é desculpa para não receber um tratamento tão duro quanto o conferido aos nativos.
Todos os lutadores devem usar trajes tradicionais em público, inclusive um coque como o de samurais. Nas competições, o triunfo e o fracasso devem gerar a mesma reação impassível. Em conversas, o lutador deve ser um modelo de humildade e falar suavemente, comportando-se com hinkaku, ou dignidade. O status é tal que estranhos se curvam quando cruzam com eles na rua.
Cada um dos 45 centros de sumô no país aceita treinar apenas um estrangeiro, ou gaikokujin, de cada vez, por ordem da conservadora Associação de Sumô do Japão. E, quando conseguem chegar lá, normalmente aos 15 anos e com no máximo 23, devem comer, falar, vestir e respirar como japoneses.
Cozinhando, limpando – sem nada para o café da manhã

© BBC Os lutadores não tomam café da manhã e precisam dormir logo após o almoço (Foto: Getty Images)

"(Os lutadores) São como soldados recebendo treinamento básico", explica Mark Buckton, um ex-comentarista e colunista de sumô do jornal Japan Times. "São eles que cozinham, limpam, descascam batatas... E todos aprendem japonês."
O ginásio de sumô é regido por uma hierarquia rigorosa, com um mestre – um ex-lutador – no comando. "Não é como no futebol, em que você pode se transferir de um time para outro", diz Buckton à BBC.
"Você faz parte de um ginásio para o resto da vida. A única forma de sair dele é abandonando o sumô."
Os lutadores deixam o cabelo crescer, normalmente até o meio das costas, para que o cabelereiro do ginásio possa fazer um penteado tradicional. Só lavam o cabelo a cada uma ou duas semanas, e passam nele bintsuke, um tipo de cera feita a partir de soja com um cheiro adocicado que acompanha o lutador aonde ele vá.
As refeições, geralmente compostas de um caldo quente rico em proteína com vegetais, são tão controladas quanto o regime de treinos, em que os jovens passam horas tentando empurrar seus enormes colegas em um círculo coberto por areia. "Eles comem muito. Mas o crucial é ir dormir logo após de comer", diz Buckton.
"Eles não tomam café da manhã. Todo o treinamento ocorre pela manhã. Eles almoçam quase o mesmo que uma pessoa normal, talvez um pouco mais. Mas comem isso com uma grande quantidade de arroz. Depois, vão para a cama e só acordam no meio da tarde. Comem de novo à noite e vão dormir cedo, porque se levantam às 5h, 6h da manhã para treinar."
Ginásios mais rigorosos costumam gerar lutadores melhores? "Com certeza, com certeza", afirma o especialista.
Sem salário, namoradas ou telefones
Há seis competições profissionais de sumô por ano, todas no Japão. Um lutador ganha ao forçar seu oponente a sair do círculo ou ao fazê-lo tocar o chão com alguma parte do corpo que não os pés. Conforme acumula vitórias, o lutador sobe no ranking.
Há cerca de 650 lutadores nas seis divisões, mas apenas cerca de 60 disputam a primeira. Eles não recebem salários nas quatro divisões inferiores. Um lutador talentoso pode levar de dois a três anos para começar a receber um salário.
Quando há pagamento, ele é bom: cerca de US$ 12 mil (R$ 39,6 mil) por mês na segunda divisão, um valor que pode chegar a US$ 60 mil (R$ 198 mil) na elite do esporte, incluindo contratos de patrocínio.

© BBC Lutadores de sumô devem se comportar segundo rígido código de conduta mesmo fora do ginásio (Foto: Getty Images)
Os lutadores mais jovens devem usar um traje de tecido de algodão fino, o yukata, e geta, ou sandálias de madeira, mesmo no auge do inverno. Dirigir não é permitido, mas os melhores lutadores têm motoristas, algo que é tanto um símbolo de status quanto uma necessidade, já que seu tamanho dificulta a vida ao volante.
Celulares e namoradas são tecnicamente proibidos abaixo das duas primeiras divisões, ainda que haja uma tolerância crescente com isso. Mulheres não podem morar nos ginásios, e lutadores não podem se casar ou morar em outro local com sua namorada até atingir ao menos a segunda divisão.
Caso se machuque e caia para a terceira divisão, o lutador deve deixar sua mulher e filhos para trás e voltar a morar no ginásio.
O que acontece se os jovens não atenderem os padrões dos mestres ou criticarem o regime quase monástico do ginásio? "Ah, eles são terríveis", diz Buckton. "Antes do rapaz ser morto em 2007, havia espancamentos frequentes. Você via os caras com marcas nas costas e na parte de trás das pernas por não se esforçarem o suficiente."
No ano passado, segundo relatos, um lutador recebeu quase 32,4 milhões de ienes (R$ 946,3 mil) de indenização após de ter sido maltratado diariamente e ficar cego de um olho.
Depois que Takashi Saito, de 17 anos, foi espancado até a morte por ter ameaçado deixar seu ginásio, o grande campeão mongol Hakuho relatou experiências chocantes de surras que chegam a durar 45 minutos.
"Você pode olhar para mim agora e ver um semblante feliz, mas, na época, eu chorava todos os dias", disse.

© BBC Campeão de sumô quebrou silêncio sobre as surras que teve de aguentar, e treinador também denunciou agressões | Foto: AFP/Getty Images
"Os primeiros 20 minutos são muito dolorosos, mas, depois, fica mais fácil, porque mesmo que você esteja apanhando, começa a sentir menos dor. Claro que chorei e, quando meu ancião disse que isso era para meu próprio bem, chorei de novo."
Quebrando o silêncio
Mas por que - em um esporte que submete seus maiores talentos a anos de punição corporal - Harumafuji foi forçado a se aposentar após agredir um lutador mais jovem? "Bem, ele bateu no rapaz em um bar...", afirma Buckton.
O escritor Chris Gould, que acompanha o universo do sumô há três décadas, diz que o "pacto de silêncio" no esporte é bem poderoso.
"Há uma consistência impressionante em como o treinamento e as punições são aplicados em diferentes ginásios e ao longo do tempo. Isso significa que, quando ocorrem incidentes como o de Harumafuji, não se fala sobre o assunto para preservar o grupo", diz Gould.
No episódio mais recente, o técnico do lutador agredido foi quem fez a denúncia e defendeu mudanças no esporte. "É interessante ver um técnico ser criticado por quebrar o código de silêncio. Na maioria dos esportes, ele seria celebrado como um herói."

© BBC Harumafuji fez um pedido público de desculpas por causa de seu comportamento | Foto: AFP
Com esse tipo de atitude, é possível esperar que jovens continuem se interessando pelo esporte?
Os dias em que a promessa de duas boas refeições diárias atraía jovens de famílias pobres do Japão rural para o sumô ficaram no passado, e esportes como o futebol e o baseball oferecem salários melhores sem o risco de sofrer violência.
Mas, apesar de tudo isso, a popularidade do sumô vem crescendo. Em janeiro, foi consagrado o primeiro campeão japonês em quase duas décadas, para a alegria dos fãs. A Associação de Sumô do Japão também tem feito campanhas publicitárias para voltar a tornar o esporte atraente.
Na visão de Chris Gould, a previsões sobre a ruína do sumô foram prematuras. "Ainda não é hora de entrar em pânico quanto ao futuro. Mas a associação precisa divulgar o que o sumô defende ou não, seus valores fundamentais. A não ser que isso aconteça, o número de grandes lutadores em potencial que nem chegam a entrar para o esporte só vai continuar a crescer."

fonte: https://www.msn.com/pt-br/esportes/mais ... ocid=wispr


Lancaster
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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por Lancaster » 03 Jan 2018 23:19

Uma vez eu estava jantando em um restaurante em Tokyo com um amigo e entraram 3 desses aprendizes, eu só posso dizer que eles comem pra KCT... pra começar pediram 3 pratos cada, não sei se repetiram porque fomos embora, mas eu acho que eles não seguem nenhuma dieta balanceada, o importante é comer bastante, qualquer coisa que seja.

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por MarceloL » 03 Jan 2018 23:51

Eles não comem só isso aí nem a pau.

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por kyo_spirit » 04 Jan 2018 09:31

Era de se imaginar q o tratamento dado a eles é muito duro não?
Deve ser um dos últimos tipos de luta q tenta manter suas tradições e respeito. Vamos ver o quanto vai aguentar assim.


Até mesmo o fato de q qd grandes campeões quebram o "código de conduta", eles se retiram do esporte....é admirável
Não existe trabalho ruim, o ruim é ter que trabalhar (Seu Madruga).

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magaxo
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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por magaxo » 04 Jan 2018 09:57

Cara quando teve a primeira vez a etapa aki na cidade,passei em um shopping do lado dele e o cara era enorme e seco!
Dava pra ver que nao era barrigudo igual aos outros sumos!

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por RicardoBJJ » 04 Jan 2018 09:58

MarceloL escreveu:
03 Jan 2018 23:51
Eles não comem só isso aí nem a pau.
é, dizer que um cara desses de 200 kg, que treina todo dia, atleta de elite e tal, come "quase o mesmo que uma pessoa normal" não dá pra ser levado muito a sério...
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Diogo_Cwb
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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por Diogo_Cwb » 04 Jan 2018 10:50

Dois gordaços se empurrando, pense num esporte chato. Não sei como desperta tanto interesse ainda hoje.

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por Michael Scofield » 04 Jan 2018 10:55

Philly Shell escreveu:
04 Jan 2018 00:11
Eles bebem MUITA cerveja. Basicamente, a dieta deles é chanko nabe e cerveja.
Sempre suspeitei que você, e alguns outros foristas, fossem praticantes de sumô, se é que você me entende. :))
Parece que está começando a ir embora a questão do vírus - Micto, Bolso. 12/04/2020

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por The Trooper » 04 Jan 2018 11:13

Diogo_Cwb escreveu:
04 Jan 2018 10:50
Dois gordaços se empurrando, pense num esporte chato. Não sei como desperta tanto interesse ainda hoje.
Chato demais, me surpreendi aqui no fórum com tanta gente gostar dos gordões de fralda. Fora do ambiente virtual nunca ouvi ninguém nem comentar de sumô a não ser em piada de gordo ou falando do E. Honda.

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por JackmAtAll » 04 Jan 2018 11:17

Eu gosto do sumon, 2 gordos em uma plataforma rodeados de pessoas de todos os lados e se empurrando como se houvesse um prato de comida no meio e quem chegar primeiro come.
Tapirus terrestris

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por General Moscardo » 04 Jan 2018 11:22

Com certeza há aspectos religiosos envolvidos em todo esse ritual, não se trata apenas de aspectos de arte marcial.

carodrigues
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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por carodrigues » 04 Jan 2018 12:25

E tem algum brasileiro nessas divisões?

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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por SALINHO » 04 Jan 2018 12:29

Haruma foi aposentado?????? Putz, faz tempo que não acompanho os bashôs, ele era meu lutador favorito, o garrincha do Sumô.

PQP! Até a minha assinatura era: "Bó Vovô!" e Bó Haruma!"
BÓ VOVÔ!!!!

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Michael Scofield
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Re: o lado obscuro da vida e treinamento dos lutadores de Sumô

Mensagem por Michael Scofield » 04 Jan 2018 12:50

Filipe escreveu:
04 Jan 2018 12:47
Nada contra o Sumo, até pq n acompanho, mas qual a necessidade deles usarem fio dental?

Me incomoda demais ver 2 gordos se agarrando de fio dental. O Japão deveria criar uma categoria pra gostosas, aí sim seria legal de ver. Certeza que quem inventou essa vestimenta foi algum imperador viadão com fetiche em gordos.

Olha isso. :-s
Spoiler:
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kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk. Porra, que merda isso aí mesmo.

Gordo é foda. Os caras com duas refeições por dia, pqp, 100% endomorfos.

No mais, estamos no maior fórum de sumô do Brasil.
Parece que está começando a ir embora a questão do vírus - Micto, Bolso. 12/04/2020

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