Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

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PHDookie
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Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por PHDookie » 02 Abr 2017 15:37

phpBB [video]


Entrevista antiga com um Tenente que matou um monte de cangaceiros(Perdeu as contas), entrou para a policia depois de Lampião ter visto ele tocando sanfona e insistido para que ele entrasse para o seu bando, após três recusas(interesse estranho do Lampião no cidadão) ele acha que Lampião vai mata-lo então entra para a volante.
Muito boa entrevista. E também o Saracura que entrou para o Cangaço depois que viu o pai ser torturado por policiais.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Black Trunk » 04 Abr 2017 12:28

PHDookie escreveu: Entrevista antiga com um Tenente que matou um monte de cangaceiros(Perdeu as contas), entrou para a policia depois de Lampião ter visto ele tocando sanfona e insistido para que ele entrasse para o seu bando, após três recusas(interesse estranho do Lampião no cidadão) ele acha que Lampião vai mata-lo então entra para a volante.
Muito boa entrevista. E também o Saracura que entrou para o Cangaço depois que viu o pai ser torturado por policiais.
Existem boatos que dizem que Lampião na verdade seria Lampiona. :ymblushing:

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Anônimo
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 04 Abr 2017 13:02

Black Trunk escreveu:Existem boatos que dizem que Lampião na verdade seria Lampiona. :ymblushing:
Acho que é o Luiz Mott, antropólogo baiano que tenta tirar várias personalidades históricas do armário, que levantou essa polêmica. Segundo ele, Lampião gostava de costurar suas roupas e era muito vaidoso, gostava de plumas, paetês e perfumes franceses. Outro autor escreveu uma biografia, mas a família proibiu. Podia chamar o Lampião de qualquer coisa, menos dizer que ele era gay:
Para Morais, sua biografia de Lampião foi a primeira a ser proibida no País porque é sincera. “Todo mundo tratou do mito. O que eu fiz foi falar sobre Lampião, o bandido”, argumenta. O juiz afirma, ainda, que o fato de ele ter afirmado que o Rei do Cangaço era gay não é justificativa suficiente para a proibição. “Eu falei que ele era um facínora, bandido, ladrão, cruel e nunca houve problema algum. Inclusive, a família até respeita a divulgação desses fatos. Agora eu digo que Lampião era gay e as pessoas proíbem o meu livro? Eu acho que esse pessoal é muito preconceituoso”, dispara.

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Nile
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Nile » 04 Abr 2017 13:06

Na verdade para esse Luiz Mott toda grande personalidade é gay, tem umas viagens pesadas desse cidadão.
Conheçam o MELHOR e MAIS COMPLETO fantasy de UFC da internet brasileira! Vc nunca viu nada parecido em nenhum outro fantasy.
E o melhor de tudo, com o GARCEZ no comando, o que faz toda a diferença.
http://ufconfantasy.forumeiros.com/

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 04 Abr 2017 13:25

café c/ leite escreveu:Ser viado é dar a bunda, não costurar roupa e procurar ficar aprazível.
Mas convenhamos, para o sertanejo, naquela época, qualquer tarefa nesse sentido não devia ser realizada por homem. Li certa vez que o bombom sonho de valsa só era consumido antigamente por mulheres, devido à embalagem vermelha (na época, ainda não era rosa). Porra, até com a cor da embalagem as pessoas implicavam.

Violence
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Violence » 04 Abr 2017 13:37

café c/ leite escreveu:Ser viado é dar a bunda, não costurar roupa e procurar ficar aprazível.

Pois é, velho! Isso é coisa de autor que não tem condições de chamar atenção pela qualidade da pesquisa e do texto e tem que se valer de polêmicas. É tipo aquela série "politicamente incorreta da História".

Vê se um José Murilo de Carvalho escreve umas merdas dessas. kkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Anônimo » 04 Abr 2017 14:12

café c/ leite escreveu:Sim, mas não dá pra concluir que o cara era viado por causa disso.
Sim, mas o autor diz que ele assediava os garotos mais nobres do cangaço e mantinha um relacionamento fixo com um dos cangaceiros. Aquele Lampião era Lamparina.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por brunodsr » 04 Abr 2017 14:21

VagabondMusashi escreveu:Minha familia é daquela região ( Calumbi, ao lado de Serra Talhada) e sempre me irrita profundamente quando pintam Lampião como algum tipo de anti-herói folclórico ou ícone a ser admirado. Era um assassino em massa, estuprador e uma bosta de ser humano e qualquer cidadão que tenha matado cangaceiro a meu ver é herói

obrigado pelo video!
Na família da minha esposa teve cangaceiro que combateu ao lado de Lampião. Não sei se você sabe, mas os volantes também se vestiam como cangaceiros. Muita coisa é colocada na conta do Lampião, mas que foi feita pela própria volante ou por outros bandos de cangaceiros.

Eu fui ao museu do cangaço na sua terra. Tem muita coisa sobre o Lampião e o seu bando. A história dos cangaceiros mais notáveis e tal. O foda é que muitas das histórias se contradizem, se comparadas com o museu do cangaço de Triunfo.

De fato, por onde passavam, deixavam rastro de sangue, estupros, etc. Mas eram admirados pelo povo, por representar uma resistência aos coronéis. Muitos sonhavam em entrar para o bando de algum cangaceiro e fugir. Sempre tem o outro lado da moeda.
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Violence » 04 Abr 2017 14:30

Anônimo escreveu:Sim, mas o autor diz que ele assediava os garotos mais nobres do cangaço e mantinha um relacionamento fixo com um dos cangaceiros. Aquele Lampião era Lamparina.
Não estou duvidando da possibilidade. Mas baseado em que documento histórico o autor tem condições de afirmar algo do tipo? :-B É puro achismo pra polemizar e vender livro.

A questão da cultura do cangaceiro é muito peculiar e diz respeito ao tipo de vida que eles levavam. Errante, na maioria do tempo. Poucas mulheres estavam dispostas a levar uma vida de guerrilha, logo, a maior parte do bando era formada por homens. Nada mais natural que as tarefas do cotidiano fossem desempenhada por eles, como cozinhar e costurar (a caatinga castiga as roupas, ainda que de couro).

O modo particular de se vestirem tbm dizia respeito ao seu modo de vida, bandido. Eles tinham as vestimentas pra quando passavam um tempo escondidos, geralmente acobertados por algum "coronel" da região. E outra vestimenta pra quando aparecessem em público, e esta sim espalhafatosa. Acredita-se que esse tipo de roupa servia pra causar impacto em que visse o bando. Tanto pra intimidar, quanto pra se fazer admirar (até pra arregimentar pessoas pro bando). É mais ou menos a mesma função que tem a roupa e os signos de status no mundo do crime hoje. "É o cordão de ouro, o tênis da Nike, a camisa da Lacoste etc", que o favelado sonha em ter e que o seduz a entrar pro tráfico, por exemplo.


Segue um vídeo com imagens reais feitas pelo fotógrafo Benjamin Abraão, do Lampião e seu bando:

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por MAU » 04 Abr 2017 14:50

Será que o Mané Galinha é o Ze Rufino da era moderna ?
Somos uma geração sem peso nenhum na história.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Chaves Antifa » 05 Abr 2017 12:35

Acho interessante que quando se trata de Lampião quase todo nordestino tem um avô que conheceu ou fez parte do seu bando.

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por brunodsr » 05 Abr 2017 12:48

Daileon escreveu:Depende do ponto de vista meu avô era sertanejo, viveu no Crato e fez parte de volante e lutou contra Lampião!

Sua admiração ao Capitão era notável.
Pois o mesmo distribuiu comida em.seu vilarejo!!

Muito desses estrupou ou ocorriam por outros bandos até de jagunços ou soldados e davam como o de Lampião.

Na verdade no sertão não havia diferença entre cangaceiro, soldado( interessante , os oficiais maioria eram analfabetos, pela questão de somente sertanejo tinha peito pra enfrentar Lampião, os pé de barro, soldados do litoral não sabiam pelejar no sertão).

Os maiores coiteros, de Lampião eram os coronéis no sertão, tanto que seus maior coitero , foi eleito Governador de Pernambuco.

Lampião passeava com políticos nas ruas de Sergipe.

Na verdade vc sendo jagunço, soldado e cangaceiro era mesma coisa!!

Lampião não era um.heroi porém tinha lampejos, não era um facínoras, a relatos que Zé Rufino seu maior inimigo fazia tais barbaridades elhe tinha profundo respeito.

Muita coisas de antes e até hoje no sertão são estranhas e escrota.
Perfeito, cara. Resumiu bem. A voltante não era polícia. Era um bando contratado pra pegar os "cabras". Dificilmente alguém que tem família no interior não conhece alguma história do cangaço. Os caras rodavam o nordeste inteiro, porra!! Na cidade de Mossoró tem até uma festa típica em comemoração a quando eles resistiram à investida de Lampião e seu bando.

Todo mundo que viveu naquela época ouviu falar, nem que seja por jornais, da saga dos cangaceiros. A resenha é que a volante usava a mesma roupa. Não tinha diferença. Pra encarar a caatinga só com roupa de couro. De outra forma, era ver a vegetação cortar a carne como faca amolada. Muitos dos "soldados" da volante eram contratados por coronéis, pra derrubar quem rondava aquelas bandas, a mando de outros coronéis. Outros tempos.
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Chaves Antifa » 05 Abr 2017 14:25

café c/ leite escreveu:
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Hahahaha bem isso, meu pai sempre me contou que Lampião tinha parentesco com meu avô porem nunca fiz questão de levar essa estória a diante justamente. Quem sabe eu encontre algum primo nesse tópico.

Violence
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por Violence » 05 Abr 2017 14:54

Garfield escreveu:Aprendendo varias coisas no tópico, galera do nordeste podia aproveitar para contar contar causos dos seus avôs sobre a época do cangaço.
Tenho família no nordeste e existe uma "lenda" dessa época do cangaço que é a tal da "Botija de Ouro". Diziam os antigos, no caso minha vó :D, que na época do lampião, as pessoas guardavam os objetos de valor, como jóias, dinheiro, ouro, em botijas de barro e enterravam e não contavam pra ninguém do paradeiro do tesouro, justamente pra evitar perder tudo em um ataque dos cangaceiros. Depois que morriam, a botija ficava perdida até que alguém por acaso a encontrava e ficava rico da noite pro dia. A parte da lenda é que muita gente dizia ter recebido a botija do falecido dono através de um sonho e aí a galera ia procurar o tesouro perdido. kkkkkkkkkkk

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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)

Mensagem por brunodsr » 05 Abr 2017 18:03

Pra quem tiver curiosidade, tá aí a história da resistência do povo de Mossoró ao bando de Lampião
Spoiler:
DO PIONEIRISMO À RESISTÊNCIA
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Uma das características dos índios Moxorós, que são apontados pelos historiadores como os originários da história do povo mossoroense, era o espírito guerreiro. Essa cultura da resistência acompanhou todo o desenvolvimento da nossa história. O maior exemplo deste espírito de luta verifica-se na guerra travada por estas bandas contra o mais famoso cangaceiro do Nordeste, o Lampião, que encontrou um povo lutador e acabou sendo expulso dessas terras.

O feito se deu em 1927 (século XX), segundo a história. Nosso município vivia um período de prosperidade econômica. Estávamos em pleno expansionismo comercial e industrial. Possuíamos o maior parque salineiro do país. Tínhamos três firmas comprando, descaroçando e prensando algodão, casas compradoras de peles de cera de caranaúba. Além disso, a cidade ainda dispunha de um porto, de onde eram exportados os seus produtos atendendo cidades da região Oeste do Rio Grande do Norte e até mesmo municípios dos estados do Ceará e Paraíba.

O cenário de prosperidade foi fundamental para que atraíssemos a atenção de grupos criminosos que invadiam e saqueavam cidades, prática comum naquela época. A população estimada do município era de aproximadamente 20 mil habitantes. Nosso território era ligado por uma estrada de ferro que se estendia desde o litoral até o povoado de São Sebastião, hoje município de Governador Dix-Sept Rosado, que já pertenceu à Mossoró.

Além de todos esses atrativos, tínhamos boas estradas de rodagem, energia elétrica alimentando várias indústrias, dois colégios religiosos, agências bancárias e repartições públicas. Em pleno século início de século XX, os mossoroenses viviam situação confortável. E tudo isso atraiu o mais temido cangaceiro da época, Virgulino Ferreira, o famoso Lampião.

Hoje, sempre que um grupo criminoso vai atacar uma cidade, seja uma agência bancária ou outro tipo de estabelecimento de maior porte, é comum ouvirmos falar sobre “informações privilegiadas”. Como são bandos formados por pessoas de outros locais, eles precisam de ajuda de “gente próxima”. E Lampião tinha essa “gente próxima”.

Com o porte que Mossoró possuía, sua invasão precisava ser planejada. De acordo com as pesquisas feitas pelos historiadores sobre o bando, o “Rei do Cangaço” era apoiado por Cecílio Batista, mais conhecido como “Trovão”. Ele já havia morado em Assu, onde havia sido preso por malandragem e desordem (crimes previstos naquela época).

Além de Trovão, Lampião contava com a ajuda de outro cangaceiro, José Cesário, conhecido como “Coquinho”, que já havia até trabalhado em Mossoró e conhecia bem a cidade. Outro importante parceiro fora Júlio Porto. Este havia trabalhado como motorista de Alfredo Fernandes, personalidade rica da época e parente próximo do prefeito Rodolfo Fernandes. Além de Júlio, o “Zé Pretinho”, tinha ainda Massilon, um tropeiro que conhecia muito bem a cidade.

O plano de invadir Mossoró é colocado em prática a partir do dia 2 de maio de 1927, ainda segundo os documentos históricos. Lampião e seu bando partiram do estado de Pernambuco, em direção ao Rio Grande do Norte. Fizeram um longo percurso. Passaram pela Paraíba, próximo ao limite com o estado do Ceará, com destino à cidade de Luís Gomes, que fica logo no início do estado norte-rio-grandense, a 201 km de Mossoró (o caminho mais curto).

A viagem não foi pacífica. Por onde passavam, invadiam e saqueavam. A cidade de Belém do Rio do Peixe, na Paraíba, por exemplo, foi uma das vítimas dos bandidos. Até então, o bando estava dividido. Uma parte da quadrilha estava com Massilon, no Ceará. Seu plano era atacar a cidade de Apodi, vizinha à Mossoró, em 11 de junho daquele ano. Depois disso, o grupo de Massilon se reuniria com o restante, liderado por Lampião, para definir um plano.

Os grupos se uniram e a reunião aconteceu, como planejado, na fazenda Ipueira, que ficava na cidade de Aurora, no estado do Ceará. De lá eles partiram com destino à Mossoró. Como era prática entre os cangaceiros, aterrorizaram sítios, fazendas, lugarejos e cidades durante o trajeto. Invadiam, saqueavam, ateavam fogo, sequestravam (os mais riscos) etc.

Uma das vítimas do bando de Lampião, antes da chegada à Mossoró, segundo constam nos documentos históricos, foi o coronel Antônio Gurgel, que já havia sido prefeito de Natal. O bando ainda fez refém o fazendeiro Joaquim Moreira, dono da Fazenda Nova, em Luís Gomes, a fazendeira Maria José, da Fazenda Arueira, além de outras pessoas ricas da região.
Imagem
Foi o coronel Antônio Gurgel que teve a missão de escrever uma carta endereçada ao prefeito de Mossoró, Rodolfo Fernandes, em nome dos cangaceiros. Ousados, eles fizeram uma série de exigências para que pudessem poupar os mossoroenses do terror que vinham causando noutras cidades do Nordeste. Essa era uma tática tradicional usada pelos cangaceiros.

De acordo com os estudiosos do cangaço, era comum a utilização dessas cartas. Antes disso, os criminosos adotavam uma série de providências para intimidar as autoridades e dificultar qualquer plano de resistência. Eles cortavam os serviços telegráficos da cidade, para evitar qualquer tipo de comunicação. Quando o município resolvia ceder, o bando exigia, além de dinheiro e joias, mordomias, submetendo o povo e os prefeitos a verdadeiras humilhações.

As pesquisas mostram que os criminosos exigiam festas e bebidas para farras, que geravam ainda mais destruição dos locais por onde o bando passava. Quando alguma das cláusulas exigidas não era atendida, Lampião e seus comparsas procediam impiedosamente.

Ao prefeito Rodolfo Fernandes, os criminosos resolveram pedir 500 contos de réis. Era muito dinheiro para a época. Por isso, chegaram a um consenso e pediram 400 contos, conforme carta que transcrevemos logo abaixo, na íntegra, escrita pelo coronel Gurgel:
Meu caro Rodolfo Fernandes.
Desde ontem estou aprisionado do grupo de Lampião, o qual está aquartelado aqui bem perto da cidade. Manda, porém, um acordo para não atacar mediante a soma de 400 contos de réis. Penso que para evitar o pânico, o sacrifício compensa, tanto que ele promete não voltar mais a Mossoró..."
Ao receber a carta, o coronel Rodolfo Fernandes convoca uma reunião. Convida todas as pessoas de destaque da cidade. Ele informa o conteúdo da carta ameaçadora e alerta para a necessidade da preparação de defesa contra um possível ataque dos cangaceiros.

Os convidados, no entanto, desprezando a força e ousadia do bando de Lampião, julgam que uma possível invasão não poderia ocorrer, se tratando de uma cidade com o porte de Mossoró. O prefeito ainda teria argumentado contra, mas não foi ouvido pelos participantes. Assim, ele responde a carta escrita pelo coronel Antônio Gurgel, a mando dos cangaceiros:
Mossoró, 13 de junho de 1927 - Antônio Gurgel.
Não é possível satisfazer-lhe a remessa dos 400.000 contos, pois não tenho, e mesmo no comércio é impossível encontrar tal quantia. Ignora-se onde está refugiado o gerente do Banco, Sr. Jaime Guedes. Estamos dispostos a recebê-los na altura em que eles desejarem. Nossa situação oferece absoluta confiança e inteira segurança.
Rodolfo Fernandes.
A resposta seria entregue a uma pessoa enviada pelo bando de Lampião, à casa do prefeito Rodolfo Fernandes, que logo afirma que a proposta feita pelo bandido não será aceita pelos mossoroenses e manda avisar a Lampião que o povo está disposto a enfrentá-lo, caso a invasão fosse executada (o que, de fato, houve). Mas antes, resolve impressionar o mensageiro.

Rodolfo o leva até um dos aposentos onde havia vários caixões com latas de querosene e gasolina. Junto a esses caixões, existia um aberto e cheio de balas. O prefeito, na tentativa de impressioná-lo, diz que todos aqueles caixões estão cheios de munição e que já existe um grande número de homens armados na cidade, aguardando a entrada dos cangaceiros.

Diferentemente do que havia encontrado até então, Lampião deparou-se com uma resposta negativa. Ao tomar conhecimento do posicionamento do prefeito Rodolfo Fernandes, ele mesmo escreve um bilhete, segundo os historiadores, numa péssima grafia (tal qual):
Cel Rodolfo
Estando Eu até aqui pretendo drº. Já foi um aviso, ahi pº o Sinhoris, si por acauso rezolver, mi, a mandar será a importança que aqui nos pede, Eu envito di Entrada ahi porem não vindo essa importança eu entrarei, ate ahi penço que adeus querer, eu entro; e vai aver muito estrago por isto si vir o drº. Eu não entro, ahi mas nos resposte logo.
Capm Lampião.
Mais uma vez, o prefeito responde com negativa, demonstrando a coragem do povo mossoroense. Em novo escrito enviado ao cangaceiro, argumenta dificuldades financeiras:
Virgulino, lampião.
Recebi o seu bilhete e respondo-lhe dizendo que não tenho a importância que pede e nem também o comércio. O Banco está fechado, tendo os funcionários se retirado daqui. Estamos dispostos a acarretar com tudo o que o Sr. queira fazer contra nós. A cidade acha-se, firmemente, inabalável na sua defesa, confiando na mesma.
Rodolfo Fernandes
Prefeito, 13.06.1927.
Diante da situação, a invasão mostrava-se iminente e não restava o que fazer, a não ser resistir. Apesar do medo, ampliado pelas histórias aterrorizantes que circulavam a região acerca de Lampião e seu bando, os mossoroenses decidiram preparar a cidade para a defesa.

O tenente Laurentino era o encarregado de organizar o plano de resistência ao bando. Os voluntários foram distribuídos em pontos estratégicos da cidade, escolhidos criteriosamente para tentar surpreender os criminosos, utilizando a estrutura local ao seu favor.
Imagem
As torres das igrejas matriz, Coração de Jesus e São Vicente foram utilizadas como pontos de referência da resistência. Do alto, tinham visibilidade e podiam utilizar deste elemento para levar vantagem sobre o bando, que viria por terra (onde também encontrariam resistência organizada). Homens armados foram instalados no mercado, correios e telégrafos, companhia de luz, Grande Hotel, estação ferroviária, ginásio Diocesano e na casa do prefeito.

Do lado de lá também havia certa organização. De acordo com os registros históricos acerca do combate, Lampião pretendia chegar a uma localidade conhecida como Saco, que ficava a uma distância de dois quilômetros de Mossoró. Neste ponto, eles abandonariam as montarias e seguiriam a pé, até Mossoró, para concretizar a temida invasão.

O cangaceiro Sabino comandava duas colunas de vanguarda. Uma das colunas era chefiada por Jararaca e outra por Massilon, enquanto Lampião liderava a coluna da retaguarda.

Em meio à preparação dos cangaceiros e dos resistentes, a população, assombrada, tentava deixar a cidade. Crianças, mulheres e idosos, em sua maioria. Estes não tinham condições de enfrentar os bandidos, de armas em punho, e precisavam fugir para se resguardar.

De acordo com os historiadores, o dia de junho ficou marcado pelo desespero da população, que tentava sair da cidade o mais rápido possível. Mulheres chorando, carregando crianças de colo, crianças sendo puxadas pelo braço, trouxas de roupa na cabeça, balaios de comida e água etc. Era uma verdadeira multidão de pessoas aterrorizadas, vagando sem rumo.

O que se via eram famílias inteiras reunidas, completamente desesperadas, lotando os raros caminhões ou automóveis que saíam disparados a caminho do litoral. Muitos, sem condição de transporte, tratavam de conseguir esconderijo dentro ou fora da cidade. A ordem dada pelo prefeito era clara: aquele que estiver desarmado, não deverá permanecer na cidade.

O desespero aumentava mais à medida que o dia avançava. Às 23h, os sinos das igrejas de Santa Luzia, São Vicente e do Coração de Jesus começaram a martelar tetricamente, o que só servia para aumentar a correria. As sirenes das fábricas apitavam repetidamente a cada instante. Foi aí que alguns, ainda incrédulos com a invasão, tiveram a certeza do que viria.

Na praça da estação da estrada de ferro, era grande a concentração de gente na busca de lugar para viajar nos trens que partiam de Mossoró. Até os carros de cargas foram atrelados à composição para que a maior quantidade possível pudesse partir. Apesar de todo o esforço, muitos não conseguiram fugir. Aqueles que chegaram atrasados caíram no desespero.

Naquela inesquecível noite de 12 de junho, não houve descanso para ninguém em Mossoró. Os encarregados pela defesa da cidade se revezavam na vigília, enquanto o restante da população esperava a vez de partir. E o movimento na estação ferroviária não parava.
Imagem
O embarque de pessoal virou toda a noite e só terminou na tarde do dia 13 de junho, dia de Santo Antônio, quando foram ouvidos os primeiros tiros, dando início ao terrível combate. Mas a meta havia sido alcançada; a cidade estava deserta. Ficaram só os resistentes.

Enfim, o bando chegara à Mossoró. Diferentemente do cenário que costumavam encontrar, deparam-se com uma cidade fantasma. Sabino, um dos líderes, segue com sua coluna para a casa do prefeito Rodolfo Fernandes. A intenção era punir o atrevimento do coronel que se recusou a ceder às pressões do bando e submeter uma cidade inteira ao terror do cangaço.

Sabino posiciona-se sozinho em frente à casa de Rodolfo Fernandes, sem saber que ali havia um grupo pronto para reagir contra o bando. Os defensores da cidade ficam indecisos, sem saber se ele é um soldado ou um cangaceiro, já que não havia muito diferença entre a maneira de se vestir de um e de outro. Foi Rodolfo Fernandes que deu a ordem para o ataque.

De acordo com as pesquisas feitas sobre o assunto, os mossoroenses contaram ainda com “ajuda” do céu. Em meio à guerra, uma chuva começou a cair, afetando diretamente a visão dos cangaceiros, que estavam desprotegidos, a céu aberto, enquanto os resistentes permaneciam inertes, nos pontos que foram estabelecidos estrategicamente por Laurentino.

Lampião segue em direção ao cemitério da cidade, enquanto que Massilon procura os fundos da casa do prefeito. A primeira baixa significativa do bando veio com o disparo que atingiu “Colchete”, que lançou uma garrafa com gasolina contra as trincheiras feitas de fardo de algodão, na tentativa de incendiá-los. Foi morto. Em seguida, Jararaca também foi baleado. Ele tentou se aproximar do comparsa para substituí-lo e acabou sendo alvejado nos pulmões.

É nesse momento que os resistentes mostram aos cangaceiros qual é a sua saída: fugir para não serem completamente destruídos. Os soldados entrincheirados assumem o controle da batalha, encurralando os cangaceiros. Aqui, a situação já está totalmente dominada.

A ordem de retirada do bando foi dada por Sabino, um dos líderes, ainda de acordo com os registros das pesquisas realizadas acerca do tema. Ele saca sua pistola e efetua quatro disparos para cima. Fim do ataque. Este foi o som da vitória dos mossoroenses sobre Lampião.

O temido confronto com o bando do mais famoso e temido cangaceiro do Nordeste durou aproximadamente uma hora e meia. Começou por volta das 16h e acabou às 17h30. Lampião, o destemido líder do bando, fugiu. Ele deixou para trás Colchete (morto) e Jararaca, além de muitos outros, não tão conhecidos, que foram feridos ou mortos durante o combate.

Precavidos, os resistentes permaneceram aquela noite de plantão, temendo que o bando pudesse tentar recuperar-se das perdas e voltar. Os combatentes suspenderam a vigília somente com o raiar do dia, ao confirmar que o bando tinha realmente sido expulso da cidade.

A história da resistência do povo de Mossoró contra o bando de Lampião, que seguiu sua saga, invadindo e saqueando, é lembrada todos os anos, no dia 13 de junho, que é o Dia de Santo Antônio. Foi numa tarde chuvosa que os mossoroenses reafirmaram seu espírito guerreiro, dando orgulho aos índios Monxorós, aqueles que deram origem ao nosso povo.

Fonte
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