O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

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Lee Jun-Fan
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O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Lee Jun-Fan » 21 Mar 2017 12:30

O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar

Sob o risco de perder a proteção após 18 anos, Odilon de Oliveira cogita virar político ou se mudar para a Romênia

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O juiz federal Odilon de Oliveira destranca uma gaveta de documentos sigilosos e retira um livro de capa dura preta, com letras douradas. O ar condicionado congelante de sua sala ameniza os 37 graus de temperatura em Campo Grande naquela tarde de sexta-feira. No calhamaço de quase 300 páginas, escrito e encadernado por ele, Odilon guarda uma compilação de provas e memórias das ameaças de morte mais bem arquitetadas que sofreu em seus 30 anos na magistratura federal. “Esse seboso aqui eu condenei”, afirma, sem esconder o orgulho, depois de deslizar o dedo pelo sulfite e parar no nome de um dos traficantes.

“Não sei se vou me adaptar, a política é um covil”, diz juiz mais ameaçado do país.

Folheia a obra com agilidade e aponta mais um, depois outro e mais outro – e assim se alonga por mais de uma hora, revisitando as histórias de cada um de seus algozes que acabou por prender. Ao cruzar com um bilhete embalado num plastiquinho e grampeado numa folha – uma ameaça do traficante Jorge Rafaat Toumani, na época considerado o “rei da fronteira” –, apressa-se: “Está vendo aqui? A vagabundagem me chama de Odi”, diz, mostrando seu apelido no papel. “O cabra escreveu de próprio punho e mandou me entregar. Naquela época, minha cabeça valia só uns R$ 500 mil. Eu ainda era barato.” Solta uma gargalhada.

Aos 68 anos recém-completados, doutor Odilon, como todos o conhecem, é um dos mais temidos juízes brasileiros que trabalham no combate ao narcotráfico. Sua trajetória profissional coleciona condenações dos mais influentes traficantes de drogas com atuação na fronteira do Brasil com o Paraguai e a Bolívia. Mandou prender o carioca Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar. E o paranaense Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, considerado pela Polícia Federal o maior narcotraficante internacional do país.

Em suas três décadas como juiz federal, Odilon não só colocou na cadeia algumas centenas de criminosos, como também esvaziou as contas bancárias das quadrilhas. “Se você só prende, os bandidos continuam mandando lá de dentro e, quando saem, usufruem de tudo aqui fora. Se você confisca os bens, dá um duro golpe na espinha dorsal da organização. Ela fica sentada no chão como um João Sem Terra, não se levanta nunca mais”, afirma. Confiscou 282 imóveis do crime, 761 veículos e 27 aeronaves – parte deles vendida em leilões por um total de R$ 27 milhões. Seu legado como juiz, entretanto, ficará por aqui.

No final de fevereiro, Odilon anunciou no Facebook que vai se aposentar. Pediu a contagem do tempo de trabalho e agora espera o término do trâmite, previsto para meados de setembro. “Já queria ter parado há uns dois anos, mas preciso antes resolver minha segurança. Se sair na rua sozinho, tomo uma surra de porrete”, diz. “Virei refém da toga.” Odilon é o único juiz do Brasil que conta com uma operação permanente da Polícia Federal (PF). Há 18 anos, é acompanhado 24 horas por dia, sete dias por semana, por uma escolta armada com pistolas e submetralhadoras. Sua casa é monitorada por câmeras de segurança. O carro que usa, um SW4 prata, tem uma blindagem que suporta tiros de fuzil. Assim que parar de trabalhar, Odilon deverá perder todo esse aparato. A portaria do Ministério da Justiça que trata da segurança de autoridades, de 8 de janeiro de 2001, não menciona casos de aposentadoria. Procurada, a PF afirmou que ainda não tem uma definição sobre esse caso.

Odilon debocha da “vagabundagem”, mas conhece bem seu poder de retaliação. Já esteve na iminência da morte em pelo menos dois atentados. O mais grave ocorreu em 2005. Num hotel do Exército em Ponta Porã, uma cidade de Mato Grosso do Sul na fronteira com o Paraguai, Odilon dormia numa madrugada de abril quando foi acordado com tiros. “Os estampidos estavam tão próximos que pareciam ser dentro do quarto. Pá-pá-pá-pá-pá”, diz. “Fiquei quietinho, com receio.” Odilon nunca diz que tem medo. Receio é o mais perto de medo que admite ter sentido.

Na mesma época, traficantes da região formaram um consórcio para assassinar Odilon. Cada um dos chefões do crime deu uma quantia de dinheiro. O juiz estava em Ponta Porã para dar vazão aos processos judiciais acumulados. Passou uma temporada de pouco mais de um ano. Por três meses dormiu no próprio Fórum, que se tornou uma espécie de bunker para acomodá-lo. Num colchonete no chão iluminado por um abajur, passava madrugadas estudando as ações e tomando uísque. A bandidagem enlouqueceu.

O brasileiro de origem libanesa Jorge Rafaat Toumani, assassinado com uma metralhadora .50 numa ação cinematográfica no ano passado, era um dos que compunham o consórcio. O bilhete mandado por ele, do qual Odilon zombou naquela tarde de sexta-feira em seu gabinete, foi um entre dezenas de recados. A organização criminosa paulista Primeiro Comando da Capital (PCC) já ofereceu R$ 1,5 milhão a quem entregasse Odilon morto. A facção carioca Comando Vermelho (CV) afirmou que pagava R$ 2,5 milhões, segundo investigações da polícia brasileira. Odilon é uma unanimidade, capaz de unir concorrentes como Rafaat, PCC e CV.

Diante de tantas notícias de ameaças, Odilon já acabou sendo dado como morto. Em 2006, recebeu um convite para participar de uma solenidade no Espírito Santo. Só no decorrer do evento percebeu o equívoco. Todos os homenageados haviam morrido no exercício de sua profissão: o jornalista Tim Lopes, a missionária americana Dorothy Stang, o juiz corregedor de Presidente Prudente José Antonio Machado Dias... Odilon era o único vivo. “Eu mesmo fui receber minha homenagem póstuma. Achei um barato, sabe?”

Desde que pediu proteção à Justiça Federal, em junho de 1998, Odilon vive enclausurado como os traficantes que manda prender. Sonha sempre que pula o muro e foge da escolta, e depois acaba por se arrepender. Odilon nunca entra numa sala imediatamente depois de abrir a porta – assim que gira a chave, um agente se antecipa para se certificar de que não há ninguém à espreita. Depois que passou a andar na companhia dos policiais, nunca mais visitou a mãe, já falecida, na tentativa de preservá-la. Pagava um táxi para ela ir até ele.

Os prazeres mais simples se tornaram um suplício. Odilon costumava correr na rua toda semana, até que os policiais descobriram um plano para matá-lo no trajeto. Passou a usar a pista de um quartel do Exército. Mas a burocracia para recebê-lo era tamanha – o pedido era feito via ofício, e a resposta com a liberação vinha cerca de um mês mais tarde – que ele capitulou. Corrida agora é só na esteira de casa ou na academia. “Entrei nessa academia há quase 30 anos, meu convívio social é ali”, diz. A Polícia Federal recomendou a Odilon cortar também as idas à academia, um padrão de rotina perigoso. Por ofício, Odilon respondeu que não obedeceria. “Então vou comprar um carro-forte e me trancar dentro...”, afirma.

A família também paga um preço alto. Odilon é casado com Maria Divina há 42 anos. Tem uma filha e dois filhos, todos formados em Direito. A menina mora em São Paulo, longe das ameaças. O do meio, numa residência colada à dos pais, também monitorada. O mais novo nunca mudou de casa. Odilon e a mulher nunca mais puderam frequentar as aulas de polca paraguaia, uma dança popular na região da fronteira, programa que adoravam. Pelo volume de trabalho, o casal tampouco consegue viajar. O lugar mais distante em que já estiveram é a Argentina.

Os amigos também foram rareando. Para as poucas festas que oferece em sua casa, Odilon convida somente autoridades, como generais e o governador. No casamento de um dos filhos, Odilon tirou a mulher para dançar e se viu cercado de casais de policiais à paisana rodopiando ao redor. Precisavam proteger o juiz, mas sem chamar a atenção dos convidados. O juiz passa sábados e domingos às voltas com processos. Vez ou outra, vai ao shopping e deita na rede em casa para ler (adora literatura policial, mas não está lendo nada no momento).

Até a mais elementar atividade diária requer cautela. Odilon quase nunca come fora de casa. Sua alimentação é preparada pela empregada, e ele leva todos os dias uma marmita para a Justiça Federal. O cuidado tornou-se necessário depois que a PF descobriu um plano para envenená-lo. Os traficantes tentaram subornar soldados do Exército nos tempos em que Odilon morava em Ponta Porã para batizar sua comida.

Odilon é conhecido pelo estilo linha-dura com os bandidos. Durante um julgamento no começo de março, na 3ª Vara de Mato Grosso do Sul, ouviu por cerca de três horas dois investigados por tráfico de drogas. Seu tom de voz era o mesmo de quando trava uma conversa cordial. Odilon tampouco alterou as expressões faciais. Contudo, foi tão detalhista nos questionamentos que parecia difícil engambelá-lo. O primeiro suspeito começou negando o crime. Aos 12 minutos, confessou. Aos 44, caiu no choro. O segundo réu respondeu a 53 perguntas de Odilon num período de dez minutos. Acabou também por confirmar sua participação no crime.

Antes de condenar alguém, Odilon coloca a vida do réu sob rigoroso escrutínio. No auge das grandes operações na fronteira, autorizava mais de 1.000 interceptações telefônicas por mês durante as investigações. Sua lealdade aos policiais federais, parceiros na missão, é notável. Certa vez, um delegado novato proibiu os agentes de se encontrar com Odilon para atualizá-lo do andamento dos casos. Queria ele próprio se reunir com o magistrado. Odilon sentou-se diante do delegado e disparou questionamentos. Sem resposta para boa parte deles, o delegado levou um sermão e os policiais retornaram.

O perfil duro vem da criação. Seus pais, agricultores de subsistência da pequena Exu, no sertão de Pernambuco, deram aos oito filhos uma educação rigorosa. “Lembro deles dizendo para a gente nunca pegar no alheio”, diz. Como inúmeros nordestinos, sua família migrou para o sul para fugir da seca. Viajou de pau de arara, comendo banana e farinha. Odilon tinha só 4 anos na época, mas até hoje preserva um forte sotaque pernambucano. O nome de sua cidade natal ele pronuncia com um acento imaginário no “e” (É-xu).

Assim que chegou a Mato Grosso do Sul, a família comprou um pedaço de terra. Odilon ia para a roça durante o dia e à noite estudava numa escola improvisada no quintal. Um conhecido com primário completo ensinava a lição às crianças sob a luz de uma lamparina. A geração de Odilon foi a primeira da família a conhecer as letras. O pai só sabia assinar o nome; a mãe, nem isso. Quando aprendeu a ler, Odilon reunia os parentes e lia literatura de cordel em voz alta. Treinava a leitura e ainda os entretinha.

A convite de um primo vereador, Odilon saiu da colônia para estudar na cidade. O primo despertou no menino a vontade de cursar uma faculdade de Direito. “Meu primo contava causos de advogado que soltava preso. Então pensei: ‘Quero ser isso aí’”, diz. Seu mundinho se abriu. Já na faculdade, descobriu que, além de soltar, poderia mandar prender. Começou a sonhar com a magistratura.

É assim, numa constante expansão de horizontes em mundos recém-descobertos, que Odilon escolhe seus objetivos de vida. Depois de dois anos como advogado, passou no concurso para procurador federal (em 2º lugar). Depois para promotor de justiça (em 10º). Então para juiz estadual (em 2º). E, por fim, para juiz federal (em 19º). Com a altivez de quem reconhece o longo caminho que percorreu, Odilon faz questão de enfatizar suas boas colocações nos concursos ao relembrar sua trajetória.

Odilon é declaradamente vaidoso, um dos poucos prazeres que ainda consegue manter. Já fez cirurgia plástica para corrigir as bolsas debaixo dos olhos e Botox. Apara a barba todos os dias, inclusive em feriados, e sempre carrega uma escova de cabelo no carro. Vai à manicure para tirar a cutícula das unhas das mãos e dos pés uma vez por semana. Numa sexta-feira de março, Odilon chegou ao salão de beleza, cumprimentou a cabeleireira e uma cliente com bobes no cabelo e seguiu para o espaço privado onde é atendido. Como estava com pressa, fez só a mão.

Depois de mandar soltar e mandar prender nos mais de 40 anos no serviço público, Odilon cogita agora fazer suas próprias leis. Há mais de dez anos, o juiz é sondado por partidos para entrar na política. Há cinco, passou a refletir sobre o assunto. Agora, com a aposentadoria, a ideia começa a ser amadurecida. Se aceitar algum dos muitos convites, se candidatará para o Senado. “Reconhecimento popular eu tenho, mas não sei se é meu perfil. A política é, digamos assim, uma devassidão muito grande. De repente, a gente vai para lá e é aquele covil, aquela coisa danada, um aborrecimento do capeta”, diz. Odilon afirma que não iria para um partido grande, como PT, PSDB ou PMDB. Mas para um nanico do chamado centrão, desde que seja coligado a uma sigla maior.

O Senado seria uma forma de resolver sua segurança. Odilon, entretanto, trabalha paralelamente em outras frentes. Planeja processar a União caso não consiga manter sua escolta de forma amigável. Em 2014, enviou um ofício ao Conselho Nacional de Justiça (CNJ) para tratar do assunto, mas não recebeu retorno (O CNJ não respondeu ao pedido de entrevista de ÉPOCA). Se tudo der errado, tem uma alternativa mais inusitada: mudar-se para a Romênia, país de origem de seu genro. Ele trocaria mesmo o calorão de Campo Grande pelo frio de lá? “Faz 20 graus abaixo de zero, mas meu genro disse que as casas têm aquecimento. Vou para o gelo também, não tem problema. Ainda é melhor que ficar preso aqui”.

Fonte: http://epoca.globo.com/brasil/noticia/2 ... entar.html
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Lee Jun-Fan
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Lee Jun-Fan » 21 Mar 2017 12:32

Achei interessante demais a matéria, apesar de alguns pontos meio confusos. Não entendi muito bem o tal evento no Espírito Santo, o que e quando desenrolou. Mas foi uma leitura que valeu a pena.

(Não achei nada polêmico aqui, mas aqui tudo se polemiza rsrs caso seja necessário, podem mover sem problemas)
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Fpmg » 21 Mar 2017 12:55

Esse é prisioneiro da própria toga! Sujeito corajoso.

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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Galinoia » 21 Mar 2017 13:02

Muito boa a matéria.

O cara tem que ter uma cabeça muito boa pra não enlouquecer numa situação dessas.
I'm just a kid o rapá!!!

NAO ME COMPROMETA COM DETALHES
VSF

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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por PescadorParrudo » 21 Mar 2017 13:10

Cara tem culhão viu, não sei se teria a coragem dele em arriscar tanto;



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Anônimo
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Anônimo » 21 Mar 2017 13:23

Pessoas corretas e política não se misturam. Ele, Sérgio Moro, Joaquim Barbosa, não aguentariam um mandato, pois veriam que o mundo da política é completamente diferente do que a vida em um tribunal.

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Blue Ocean
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Blue Ocean » 21 Mar 2017 13:51

Tem o nosso respeito.
Mas é duro ter q abdicar da vida por um propósito, e sem o devido reconhecimento.
Seria a figura mais próxima de um herói?
Enviado do meu teclado Patati Patatalk

Uma vez Flamengo, Flamengo até morrer.

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rafaelratão
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por rafaelratão » 21 Mar 2017 14:19

Não conhecia o cara, mas passou infancia difícil, venceu na vida e continua honesto, merece nossos aplausos no "país da corrupção"

Vinil
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Vinil » 21 Mar 2017 14:32

B-)
Anônimo escreveu:Pessoas corretas e política não se misturam. Ele, Sérgio Moro, Joaquim Barbosa, não aguentariam um mandato, pois veriam que o mundo da política é completamente diferente do que a vida em um tribunal.

Sérgio Moro parece que já se adaptou.

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Sharivan
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por Sharivan » 21 Mar 2017 14:44

Anônimo escreveu:Pessoas corretas e política não se misturam. Ele, Sérgio Moro, Joaquim Barbosa, não aguentariam um mandato, pois veriam que o mundo da política é completamente diferente do que a vida em um tribunal.
Concordo (sem entrar no mérito quanto a um ou outro nome). O meio político é algo tão sujo que até um homem dos mais virtuosos tende a sucumbir, pois a corrupção (em todas as suas vertentes) é praticamente um aspecto inato ao meio. Esse magistrado é um baita exemplo de coragem e vocação, de entender que a sua posição tem um papel de extrema relevância na e para a sociedade, fazendo da magistratura um verdadeiro sacerdócio.

Muito justa a preocupação dele, até porque a imensa maioria dos juízes não justifica, de fato, a enormidade de regalias das quais gozam. Inclusive, entendo que o Estado deveria se ater a casos precisos quanto a determinadas prerrogativas e auxílios, pois, com o devido respeito, mas a classe toda usufruí, indiscriminadamente, de uma vastidão de benefícios que chega a ser ultrajante ante a realidade econômico-social brasileira como um todo.

Justo seria que só em casos específicos houvessem determinados benefícios, por efetiva necessidade e não meramente como uma prerrogativa por conta da função. Qualquer magistrado, hoje, ganha em torno de trinta mil reais mensais, no entanto, a remuneração total é absurdamente dilatada por conta de acionais legais: indenizações referentes a despesas com moradia, transporte, diárias e gratificação por quinquênio, salário-família, gratificação natalina, adicional por tempo de serviço, serviço extraordinário, substituição, enfim, são muitas vantagens que não se justificam por si só! O salário-base já é bastante justo, não haveria porquê de tantos outros adicionais em seus vencimentos. No final das contas, os magistrados ganham algo em torno de 40 e até mais de cinquenta mil reais no caso de desembargadores!

Então, vejam só, um cara que é pago pelo governo e já ganha por volta de trinta mil reais, tem a necessidade de uma "ajuda de custo" para moradia de mais de quatro mil reais por mês? Quer dizer, só um dos vários adicionais pagos a um magistrado custa, praticamente, o salário total de um professor que será pago pelo mesmo sistema! Detalhe que esse professor, mesmo ganhando muito menos, não terá sequer um esboço proporcional dos benefícios pagos ao juíz/desembargador. Tão injusto quanto isto é um magistrado exemplar, que abdicou de um dos bens mais preciosos de todo ser humano, a liberdade, ter a preocupação com a sua própria segurança ao encerrar uma caminhada tão árdua e custosa.

Perdoem a crítica/desabafo, mas isto é um daqueles casos absurdos onde se vê o quão desigual, irônico e hipócrita o nosso país o é em todas as áreas e esferas. Poxa, o nosso legislativo e judiciário custam tão caro aos cofres públicos (organização, manutenção e funcionalismo), e mesmo assim nos deparamos com uma situação tão absurda quanto a do juiz referenciado no tópico? Tem uma porrada de juiz que fez besteira e, como "punição", simplesmente foi aposentado compulsoriamente. Já um juiz tão valoroso se vê nesse impasse logo quando ele, merecidamente, está prestes a se aposentar.

Lamentável!
Eis que Deus é a minha salvação; nele confiarei, e não temerei, porque o SENHOR DEUS é a minha força e o meu cântico, e se tornou a minha salvação. Isaías 12:2

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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por thiagobjj » 21 Mar 2017 15:06

Eu já assisti uma longa materia sobre este Senhor.

Realmente, o cara deu a vida pela profissão, e na prática perdeu a liberdade assim como os detentos.

Na materia q eu vi (acho q foi record), ele mostra uma foto, acredito q seja casamento da filha dele. Na foto ele está dançando com a esposa se nao me engano, ai ele mostra a galera em volta dele dançando, tudo policial federal a paisana. Foda viver assim :/
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General Moscardo
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por General Moscardo » 21 Mar 2017 15:21

Eu simplesmente não entendo quem se apega ao trabalho como se fosse uma "missão divina", um "sacerdócio". Há coisas que deveriam ser muito mais importantes para qualquer pessoa, como a família e o bem-estar pessoal. Não estou dizendo que o sujeito deveria "prevaricar", é lógico que se o sujeito tiver de ser condenado o juiz deverá condenar, mas tem muita gente que procura a famosa "sarna pra se coçar". Lembrando sempre que a função do judiciário não é reduzir a criminalidade, sendo isso resultado de políticas públicas, melhora de renda, escola etc.

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H.Wolowitz
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Re: O juiz mais ameaçado do país vai se aposentar (sob o risco de perder proteção)

Mensagem por H.Wolowitz » 21 Mar 2017 15:42

General Moscardo escreveu:Eu simplesmente não entendo quem se apega ao trabalho como se fosse uma "missão divina", um "sacerdócio". Há coisas que deveriam ser muito mais importantes para qualquer pessoa, como a família e o bem-estar pessoal. Não estou dizendo que o sujeito deveria "prevaricar", é lógico que se o sujeito tiver de ser condenado o juiz deverá condenar, mas tem muita gente que procura a famosa "sarna pra se coçar". Lembrando sempre que a função do judiciário não é reduzir a criminalidade, sendo isso resultado de políticas públicas, melhora de renda, escola etc.
Não tendo esta melhora, figuras como ele são necessárias, não só nessa área, pessoas acima da média tem de puxar o brasileiro médio com esse pensamento acomodado do seu post pra cima.
Talvez realmente seja uma missão, as vezes não divina e sim da consciência.
Admiro pessoas obstinadas, espero ser assim, hoje me considero apenas focado na área que eu sigo, mas daqui para o final do curso tudo pode acontecer.

tem gente que simplesmente se satisfaz com o seu trabalho reconhecido, como a executiva da gree, aproveitar a vida é um conceito muito complicado, cada um o faz da maneira que quer, nem todos os prazeres são iguais

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