Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
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folhabranca
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Minha família é do sertão; mais especificamente da cidade onde levaram as cabeças dos cangaceiros imediatamente após a morte dos mesmos; inclusive meu bisavô era da volante e foi pra reserva como tenente da PM (não existia concurso, o indivíduo se voluntariava e engajava na força se fosse aceito; ascendendo de praça até coronel; o militar entrava como praça e poderia chegar a oficial sem precisar passar por nenhuma escola ou curso de oficiais)... já o meu avô por parte de pai, viu as cabeças de Lampião e dos demais na escadaria da prefeitura, a época ele tinha 11 anos e foi com o pai (meu outro bisavô que era ferroviário) ver o "espetáculo"... cresci escutando histórias do cangaço e me interesso muito pelo tema... uma das histórias é que um soldado da volante recolheu tanto ouro dos despojos dos cangaceiros que abriu uma joalheria em São Paulo; o mesmo cortou as mãos de Luiz Pedro (lugar tenente e compadre de Lampião) e guardou no seu bornal, pq "dava muito trabalho" retirar os anéis de um por um. Ainda a respeito dessa história, contam que o tenente João Bezerra chamou o mesmo para dividir o butim igualmente entre todos os outros militares que foram pra grota de angicos, ao que o soldado respondeu "o que ganhei embaixo de bala, só tomam embaixo de bala" kkkkkkkkk
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Essa história contam no museu do cangaço também (em Serra Talhada). É bem capaz de ser verdade mesmo. O conceito de justiça, certo e errado dessa galera era muito estranho. Vários relatos de gente do bando dele sendo capados por terem abusado de mulheres, mas o próprio Lampião pegou a Maria Bonita quando ela ainda era uma criança.Daileon escreveu:Tem um de Lampião chega num sítio, simples ele chega, todo mundo começa a servir ele, vem ele manda a velha dona no sítio matar sua cabra!!
A velha faz suas ordens, cozinha e faz um ensopado, um.cabra de seu bando fala que comida tá horrível e sem sal!!
Lampião fala" Vea tem sal aí?" A mulher diz que sim, " Então traga o que vc tem"
Botou na mesa obrigou o cara comer o sal, maluco morreu lá mesmo, deu uma grande esmola pela cabra,é foi embora!!
Meu avô contava essa!!
Ele tinha umas bondades, brutas , era meio justo em alguns quesitos, mas pisasse fora dá rédea era morte.
Outra que conta que moça que era deflorada (estuprada) por cabra safado ele capava(arranca tudo) do sujeito.
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folhabranca
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Tem Tb outra história a respeito de Lampião. Numa fazenda tinha um morador conhecido como mané assoviador; que se negou a acoitar o bando de Lampião, após o mesmo ter enviado um bilhete pedindo pouso naquela fazenda. Então o bando invadiu a localidade e Lampião fez Mané assoviador passar a noite toda assobiando no ritmo de xaxado, enquanto ele e os demais cabras dançavam com as filhas nuas do morador, além de estupra las posteriormente na frente do pai
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- The Answer
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Sou de Mossoró e o pai do meu bisavô trocou bala com o bando de lampião, aqui nós temos museu e um espetáculo junino em homenagem a resistência, na igreja São Vicente do centro da cidade ainda tem os buracos das balas, sempre pintam a igreja mas não tocam nos buracos, tínhamos o rifle na família até minha avó precisar de tratamento.brunodsr escreveu:Pra quem tiver curiosidade, tá aí a história da resistência do povo de Mossoró ao bando de LampiãoSpoiler:
Meu avô paterno até hoje fala das histórias q o avô dele contava, nesse dia qualquer homem saudável e com disposição recebeu uma arma pra resistir, o padre e o prefeito foram peças chaves na resistência.
edit: o nome do espetáculo é chuva de bala em frente a igreja q eu citei é foda.
Editado pela última vez por The Answer em 05 Abr 2017 21:33, em um total de 3 vezes.
Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Sim, velho... Tem razão!! Foi corisco mesmo. Foi mal aí pela confusão. HehehehDaileon escreveu:Não amigo, era mulher feita já seus pais eram coiteros, seu marido era gala rala, não dava nos couros, era reclamava pra mãe!!
Ela foi com ele de bom grado, kkk porra usando expressões de meu finado avô, Curisco sim pegou Dada , criança!!
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Fica a critério dos céticos acreditarem ou não, até pq seria uma grande vantagem vir mentir em um fórum de internet
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
porra, o tenente fala igual o profexo luxa kkkkkkkkkkkkkkkk
ele tinha era um "projeto" de matar lampiao....
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Os meus avós maternos eram "moradores" que é tipo um trampo para viver e cuidar da fazenda dos outros, moraram no sertão da Paraíba e do rio grande do Norte, dejejum era feijão com farinha, muito cuscuz, leite de gado e de criação. Não constumavam fumar e nem beber, meu avô morreu com 76, na época ele estava amansando um cavalo que é uma atividade de força do caralho, detalhe com um câncer terminal, o velho era casca grossa.Daileon escreveu:Verdad uma coisa interessante, pergunta a qualquer sertanejo, hj é tanta coisa , tanta putaria, suplementos, vitaminas, endocrinologista, personal pica, cú.
Sertanejo de antigamente, comia no imbornal ( estilo uma bolsa de couro, farinha, carne seca e rapadura), maluco era forte feito um touro, vivia mais de 90 anos!!!
Por aí vc ver a força dos sertanejo
Editado pela última vez por The Answer em 05 Abr 2017 21:35, em um total de 1 vez.
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Consegue descrever a faca? Para sabermos se era uma peixeira ou um punhal, o segundo mortal para caralhoDaileon escreveu:Meu avô era foda, vai parecer mentira alto prós padrões 1,85 forte como um touro, não descolava de uma faca pra nada.
Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Corisco pegou a Dada com 13 anos a força, a estuprou e depois de um tempo ela se apaixonou por ele
Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Meu sogro em um punhal vazado. Foi do avô dele. Em algumas cidades do interior, ainda é possível ver gente bebendo em bodegas, com um punhal na cintura.
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Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Quem quiser saber mais sobre o tema Dois bons historiadores são Antônio Amaury Correa de Araújo (teve contato com vários cangaceiros alguns morando em sua casa inclusive a dada mulher de courisco) e Frederico Pernambucano.
Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
O último combate de Lampião
Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na margem sergipana do Rio São Francisco, em Angico, irrompeu o tiroteio em que morreram Lampião, Maria Bonita, Enedina, Luiz Pedro, Mergulhão, outros 6 cangaceiros e o soldado Adrião Pedro de Souza.
O ataque foi fruto da ação conjunta entre as volantes do Tenente João Bezerra da Silva, do Aspirante Francisco Ferreira de Melo e do sargento Aniceto Rodrigues, todos da polícia alagoana. Apesar dos contratempos, Bezerra e Ferreira de Melo conseguiram superar a inteligência bélica de Lampião, impondo ao experiente cangaceiro o fator surpresa, com grande êxito.
Fonte: http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/
Neste pequeno artigo, tentaremos reconstituir, de maneira sucinta, o desenrolar da trama que culminou com a morte do Rei e da Rainha do Cangaço.
Desde meados de 1936, após a invasão de Piranhas (AL) por Gato, Moreno e Corisco, que a perseguição aos cangaceiros acirrou-se sobremaneira. Lampião vinha driblando as volantes na região limítrofe entre Alagoas, Sergipe e Bahia, sempre margeando o Rio São Francisco e as caatingas destes três estados, onde estabelecera grande e sólida rede de coiteiros.
Antes do combate do Angico, o último grande confronto de Lampião com forças volantes foi o combate da Lagoa do Domingos João, arredores de Canindé do São Francisco (SE), em meados de 1937, onde fora surpreendido pela volante de Zé Rufino. Desde então, Lampião estava retraído, escondendo-se ora na margem sergipana, ora na margem alagoana do Velho Chico.
Zé Rufino
Fonte: Acervo pessoal Leandro Cardoso
Neste período, Maria Bonita começou a “escarrar” sangue. Especula-se que tenha sido sequela do tiro que levara na Serrinha do Catimbau (Garanhuns, Pernambuco) dois anos antes ou, quem sabe, tuberculose. Lampião, com a ajuda e proteção do todo-poderoso Coronel sergipano Hercílio Brito, enviara Maria, incógnita, para Propriá, cidade próspera do interior sergipano, para ser tratada adequadamente por médico, o que foi feito a contento.
No período de ausência de Maria, Lampião ficou gravitando entre os municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo (SE) e Piranhas. Numa das vezes que visitou a fazenda Pedra D’Água, município de Canindé do São Francisco, de propriedade de Dona Delfina Fernandes. Lampião prometeu, nesta ocasião, que em fins de julho, após o retorno de Maria, retornaria à fazenda para apadrinhar uma criança da fazenda, conforme havia lhe pedido a proprietária.
Quando da travessia do São Francisco, de Alagoas para Sergipe, dias antes do combate do Angico, teria dito ao grupo que estava cansado da perseguição que lhe moviam as volantes da Bahia, Pernambuco (os Nazarenos), Alagoas e Sergipe; que talvez fizesse uma grande viagem para Minas Gerais, e que quem quisesse acompanha-lo estava livre para fazê-lo (palavras do ex-cangaceiro Candeeiro). Disse também que chamara, para uma reunião, os subgrupos de Corisco, Ângelo Roque (o Labareda) e Zé Sereno.
Corisco recebera um bilhete de Lampião, cujo conteúdo (relatado por Dadá) convocava-o para dar uma lição em Zé Rufino, que “queria passar de pato a ganso”. No entanto, o real motivo da reunião, até hoje é motivo de especulação. Corisco ainda chegou até o Angico, dois dias antes do combate, mas disse a Lampião que não gostava daquele lugar que parecia “cova de defunto: com uma entrada e uma saída”. Após conversar com Lampião, atravessou novamente o São Francisco, ficando na margem alagoana, esperando o grupo de Ângelo Roque, que ainda não havia chegado, para novamente se encontrarem.
O coiteiro de Lampião no Angico era Pedro de Cândido, que morava em Entre-Montes, localidade próxima a Piranhas, na margem alagoana do rio. Um vizinho, Joca Bernardes, desconfiou de Pedro, pois este havia comprado muitos queijos, além de ter trazido coisas da feira de Piranhas. Joca, que tinha, talvez, inveja do vizinho (provavelmente pela proximidade deste com Lampião) foi até a delegacia de Piranhas e avisou ao Sargento Aniceto Rodrigues: – Aperte Pedro, que ele tem Lampião!
Aniceto, então, telegrafou para João Bezerra, que estava na cidade de Pedra de Delmiro (AL), com sua volante e com Ferreira de Melo, enviando a seguinte mensagem: “Venha imediatamente. Boi no pasto!”.
Bezerra, que entendeu a mensagem codificada, tomou duas metralhadoras emprestadas da volante do nazareno Odilon Flor, sem nada informa-lo, e apressou-se para retornar a Piranhas.
Na tarde do dia 27, as três volantes (Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto) partiram com a informação dada por Joca Bernardo de que Pedro de Cândido tinha o paradeiro de Lampião. Bezerra, então, manda dois soldados buscarem Pedro em casa.
Pedro é trazido e questionado por Bezerra e Ferreira de Melo. Nega saber do paradeiro de Lampião. O Tenente, então, subjuga-o e arranca uma das unhas de Pedro com a ponta do punhal e “força” sua costela “mindinha” com o cabo do mesmo punhal. Pedro, então, confessa tudo: Lampião está ali perto e ele os levará até ele. Pede, entretanto, para irem buscar seu irmão, Durval Rodrigues Rosa, pois ele sozinho teria dificuldade de guiar as três volantes. Durval, pego de surpresa, é, então, incorporado à tropa.
Procuram o canoeiro Pedro Bengo, que ajouja duas canoas, e, assim, consegue transportar todos os homens para a margem sergipana do rio.
Os soldados seguiram silentes, tomando cachaça com pólvora para vencer o frio e o medo de, naquela madrugada, enfrentarem o Rei do Cangaço.
Voltemos aos cangaceiros.
Após sua recuperação, Maria retorna ao seio do bando, dias antes do combate do Angico. Chega, porém, com uma novidade: cortara o cabelo ‘a la garçon’, então na moda, o que despertou a fúria de Lampião, que não aprovou a “modernidade”. Segundo testemunhas (depoimentos de Dulce e Cila), tiveram um briga feia na véspera do combate.
Na noite daquele 27 de julho de 1938, Maria, Cila e Dulce sentaram-se no alto de uma pedra para fumarem. Maria botou para fora a raiva que estava de Lampião e as três conversaram bastante, inclusive sobre o que aconteceria se fossem presas. Maria dizendo que se fosse presa por uma volante baiana não teria muitos problemas, pois tinha primos que sentaram praça. Cila, por sua vez, disse que preferia as volantes de Sergipe. Em determinado momento, Cila chama a atenção das amigas para uma luz que acendia e apagava ao longe. “- Não será luz de pilha (lanterna)”, perguntou?. Maria, que era a mais experiente, não deu bola e disse que era vagalume. Ledo engano. Era a tropa que avançava.
Enfim, jogaram conversa fora e depois voltaram para dormir. Segundo Balão, todos se recolheram por volta das 22h. Enquanto isso os soldados se aproximavam silenciosamente, tentando fechar o cerco.
Acordaram por volta das quatro e meia/cinco horas da manhã. Lampião convidou para rezarem o Ofício de Nossa Senhora. Os que quiseram, levantaram-se e rezaram. Outros continuaram sob as cobertas, por causa do frio (caso de Candeeiro). Já outros, rezaram e voltaram a deitar-se (caso de Cila). Lampião, Zé Sereno e Luís Pedro já estavam de pé e tomaram um cafezinho feito pelo cangaceiro Vila Nova (o único que estava devidamente equipado naquela hora). Zé Sereno ponderava com Lampião que já haviam se demorado muito ali e que deveriam sair, sob pena de serem emboscados. Lampião disse que sairiam após o café.
Então, Lampião ordenou que Amoroso fosse até um dos caldeirões de água (pequena poça d’água acumulada a uns 70-80 metros de onde estavam). Amoroso, ao chegar no referido caldeirão, se preparou para urinar, e iria fazê-lo em cima dos soldados, que estavam escondidos ali próximos. Estes haviam recebido ordens de João Bezerra para não atirar antes dele, até que o cerco estivesse fechado. Os soldados, porém, não tiveram escolha, pois o cangaceiro estava muito próximo, quase “topando” neles.
Atiraram, então. Mas, por medo ou embriaguez, erraram e Amoroso volta correndo. Nesse ínterim, Maria Bonita vinha na mesma direção, com uma bacia de queijo do reino, para pegar também água. Os soldados, então, não perdem tempo e atiram na cangaceira, que grita: “- Valhei-me, Nossa Senhora!”. Maria foi, então, alvejada na barriga e, quando virou-se para correr, recebeu um balaço nas costas, caindo, logo adiante.
O tiroteio, neste meio tempo, já irrompeu para os lados onde Lampião estava. Zé Sereno, quando ouviu os tiros sobre Amoroso, disse a Lampião: “Não falei que a gente brigava hoje?”.
Logo aos primeiros tiros, o fuzil de Lampião foi atingido no engenho, o que limitou a reação do Rei do Cangaço (palavras de Candeeiro), e o fez ser atingido no tórax e no baixo ventre, caindo ao solo.
Zé Sereno conseguiu escapar ao furar o cerco parcialmente fechado (Aniceto perdera-se e não havia conseguido chegar neste momento) fingindo-se passar por um volante: “- Não atire, que é companheiro!”. Conseguiu, portanto, fugir.
Candeeiro correu, mas topou com os soldados de Aniceto Rodrigues no meio da mata, e foi atingido no braço, perdendo a capacidade de revidar os tiros. Mesmo assim, conseguiu fugir, ajudado por Amoroso e outros cangaceiros.
Cila, que praticamente foi arrastada pelos companheiros, estava em estado de choque. Correu pela caatinga descalça, pois não teve tempo de calçar as alpercatas. Na hora da fuga, a cangaceira Enedina vinha atrás dela. Em determinado momento, Cila sentiu um impacto nas costas e virou-se pra ver o que era. Deparou-se com Enedina caída no chão: levara um tiro na nuca e os pedaços de massa encefálica, meninges e sangue foram às costas de Cila. Segundo relatou em entrevista ao autor destas linhas, demorou muito tempo para tirar as manchas de sangue e cérebro que ficaram no seu vestido.
O tiroteio foi intenso e durou uns 20 a 25 minutos. Um dos soldados, Honorato, deu um tiro na cabeça de Lampião, quando este estava caído no chão, o que suscitou grande reprimenda de João Bezerra, que disse: “-Não atirem na cabeça! Não é pra esbagaçar! É pra cortar e levar!”.
Segundo depoimentos de cangaceiros e volantes, Maria Bonita teria implorado para não morrer. No entanto, foi degolada pelo soldado Santo (na verdade, Sandes), ao que parece ainda com vida.
O tenente João Bezerra foi baleado na perna durante o combate, provavelmente por Zé Sereno. Um soldado, Adrião Pedro de Souza foi morto durante o combate, provavelmente por Balão.
Corisco ouviu o tiroteio, mas como estava no outro lado do rio, não teve como dar uma retaguarda a Lampião. Só depois ficou sabendo o resultado do confronto.
João Bezerra ordenou que os onze cangaceiros mortos fossem decapitados e as cabeças levadas para Piranhas, onde foram fotografadas na escadaria da prefeitura. Depois de condicionadas em latas de querosene, foram levadas para Maceió, não sem antes serem exibidas em várias cidades do interior de Alagoas aos circunstantes, o que muito prejudicou a conservação das mesmas.
Em Maceió, as de Lampião e Maria foram examinadas pelo médico legista da Polícia Militar de Alagoas, Dr. José Lages Filho, que emitiu laudo de necropsia das peças. Posteriormente, foram mandadas para o Instituto Nina Rodrigues, em Salvador, onde ficaram expostas até 1969. Neste ano, foram sepultadas em urnas, após pedido da família.
Aí está, em algumas pinceladas, o combate do Angico, o tiro de misericórdia no Cangaço, que ainda estrebucharia até 1940, com a morte de Corisco. Os grandes vitoriosos deste episódio foram João Bezerra e Francisco Ferreira de Melo, que conseguiram seu intento, apesar dos muitos empecilhos que se apresentaram (a recusa inicial de Pedro em ajudar, o cerco que não estava fechado, a travessia do rio…). As luzes de Bezerra e Ferreira de Melo ofuscaram o brilho de Lampião, que não conseguiu cumprir a promessa que fizera a Dona Delfina. A dona da fazenda Pedra D’Água teve de arrumar outros padrinhos para festa em que aguardava Lampião e seu bando, com muito arroz doce e canjica.
Na madrugada do dia 28 de julho de 1938, na margem sergipana do Rio São Francisco, em Angico, irrompeu o tiroteio em que morreram Lampião, Maria Bonita, Enedina, Luiz Pedro, Mergulhão, outros 6 cangaceiros e o soldado Adrião Pedro de Souza.
O ataque foi fruto da ação conjunta entre as volantes do Tenente João Bezerra da Silva, do Aspirante Francisco Ferreira de Melo e do sargento Aniceto Rodrigues, todos da polícia alagoana. Apesar dos contratempos, Bezerra e Ferreira de Melo conseguiram superar a inteligência bélica de Lampião, impondo ao experiente cangaceiro o fator surpresa, com grande êxito.
Fonte: http://lampiaoaceso.blogspot.com.br/
Neste pequeno artigo, tentaremos reconstituir, de maneira sucinta, o desenrolar da trama que culminou com a morte do Rei e da Rainha do Cangaço.
Desde meados de 1936, após a invasão de Piranhas (AL) por Gato, Moreno e Corisco, que a perseguição aos cangaceiros acirrou-se sobremaneira. Lampião vinha driblando as volantes na região limítrofe entre Alagoas, Sergipe e Bahia, sempre margeando o Rio São Francisco e as caatingas destes três estados, onde estabelecera grande e sólida rede de coiteiros.
Antes do combate do Angico, o último grande confronto de Lampião com forças volantes foi o combate da Lagoa do Domingos João, arredores de Canindé do São Francisco (SE), em meados de 1937, onde fora surpreendido pela volante de Zé Rufino. Desde então, Lampião estava retraído, escondendo-se ora na margem sergipana, ora na margem alagoana do Velho Chico.
Zé Rufino
Fonte: Acervo pessoal Leandro Cardoso
Neste período, Maria Bonita começou a “escarrar” sangue. Especula-se que tenha sido sequela do tiro que levara na Serrinha do Catimbau (Garanhuns, Pernambuco) dois anos antes ou, quem sabe, tuberculose. Lampião, com a ajuda e proteção do todo-poderoso Coronel sergipano Hercílio Brito, enviara Maria, incógnita, para Propriá, cidade próspera do interior sergipano, para ser tratada adequadamente por médico, o que foi feito a contento.
No período de ausência de Maria, Lampião ficou gravitando entre os municípios de Canindé do São Francisco, Poço Redondo (SE) e Piranhas. Numa das vezes que visitou a fazenda Pedra D’Água, município de Canindé do São Francisco, de propriedade de Dona Delfina Fernandes. Lampião prometeu, nesta ocasião, que em fins de julho, após o retorno de Maria, retornaria à fazenda para apadrinhar uma criança da fazenda, conforme havia lhe pedido a proprietária.
Quando da travessia do São Francisco, de Alagoas para Sergipe, dias antes do combate do Angico, teria dito ao grupo que estava cansado da perseguição que lhe moviam as volantes da Bahia, Pernambuco (os Nazarenos), Alagoas e Sergipe; que talvez fizesse uma grande viagem para Minas Gerais, e que quem quisesse acompanha-lo estava livre para fazê-lo (palavras do ex-cangaceiro Candeeiro). Disse também que chamara, para uma reunião, os subgrupos de Corisco, Ângelo Roque (o Labareda) e Zé Sereno.
Corisco recebera um bilhete de Lampião, cujo conteúdo (relatado por Dadá) convocava-o para dar uma lição em Zé Rufino, que “queria passar de pato a ganso”. No entanto, o real motivo da reunião, até hoje é motivo de especulação. Corisco ainda chegou até o Angico, dois dias antes do combate, mas disse a Lampião que não gostava daquele lugar que parecia “cova de defunto: com uma entrada e uma saída”. Após conversar com Lampião, atravessou novamente o São Francisco, ficando na margem alagoana, esperando o grupo de Ângelo Roque, que ainda não havia chegado, para novamente se encontrarem.
O coiteiro de Lampião no Angico era Pedro de Cândido, que morava em Entre-Montes, localidade próxima a Piranhas, na margem alagoana do rio. Um vizinho, Joca Bernardes, desconfiou de Pedro, pois este havia comprado muitos queijos, além de ter trazido coisas da feira de Piranhas. Joca, que tinha, talvez, inveja do vizinho (provavelmente pela proximidade deste com Lampião) foi até a delegacia de Piranhas e avisou ao Sargento Aniceto Rodrigues: – Aperte Pedro, que ele tem Lampião!
Aniceto, então, telegrafou para João Bezerra, que estava na cidade de Pedra de Delmiro (AL), com sua volante e com Ferreira de Melo, enviando a seguinte mensagem: “Venha imediatamente. Boi no pasto!”.
Bezerra, que entendeu a mensagem codificada, tomou duas metralhadoras emprestadas da volante do nazareno Odilon Flor, sem nada informa-lo, e apressou-se para retornar a Piranhas.
Na tarde do dia 27, as três volantes (Bezerra, Ferreira de Melo e Aniceto) partiram com a informação dada por Joca Bernardo de que Pedro de Cândido tinha o paradeiro de Lampião. Bezerra, então, manda dois soldados buscarem Pedro em casa.
Pedro é trazido e questionado por Bezerra e Ferreira de Melo. Nega saber do paradeiro de Lampião. O Tenente, então, subjuga-o e arranca uma das unhas de Pedro com a ponta do punhal e “força” sua costela “mindinha” com o cabo do mesmo punhal. Pedro, então, confessa tudo: Lampião está ali perto e ele os levará até ele. Pede, entretanto, para irem buscar seu irmão, Durval Rodrigues Rosa, pois ele sozinho teria dificuldade de guiar as três volantes. Durval, pego de surpresa, é, então, incorporado à tropa.
Procuram o canoeiro Pedro Bengo, que ajouja duas canoas, e, assim, consegue transportar todos os homens para a margem sergipana do rio.
Os soldados seguiram silentes, tomando cachaça com pólvora para vencer o frio e o medo de, naquela madrugada, enfrentarem o Rei do Cangaço.
Voltemos aos cangaceiros.
Após sua recuperação, Maria retorna ao seio do bando, dias antes do combate do Angico. Chega, porém, com uma novidade: cortara o cabelo ‘a la garçon’, então na moda, o que despertou a fúria de Lampião, que não aprovou a “modernidade”. Segundo testemunhas (depoimentos de Dulce e Cila), tiveram um briga feia na véspera do combate.
Na noite daquele 27 de julho de 1938, Maria, Cila e Dulce sentaram-se no alto de uma pedra para fumarem. Maria botou para fora a raiva que estava de Lampião e as três conversaram bastante, inclusive sobre o que aconteceria se fossem presas. Maria dizendo que se fosse presa por uma volante baiana não teria muitos problemas, pois tinha primos que sentaram praça. Cila, por sua vez, disse que preferia as volantes de Sergipe. Em determinado momento, Cila chama a atenção das amigas para uma luz que acendia e apagava ao longe. “- Não será luz de pilha (lanterna)”, perguntou?. Maria, que era a mais experiente, não deu bola e disse que era vagalume. Ledo engano. Era a tropa que avançava.
Enfim, jogaram conversa fora e depois voltaram para dormir. Segundo Balão, todos se recolheram por volta das 22h. Enquanto isso os soldados se aproximavam silenciosamente, tentando fechar o cerco.
Acordaram por volta das quatro e meia/cinco horas da manhã. Lampião convidou para rezarem o Ofício de Nossa Senhora. Os que quiseram, levantaram-se e rezaram. Outros continuaram sob as cobertas, por causa do frio (caso de Candeeiro). Já outros, rezaram e voltaram a deitar-se (caso de Cila). Lampião, Zé Sereno e Luís Pedro já estavam de pé e tomaram um cafezinho feito pelo cangaceiro Vila Nova (o único que estava devidamente equipado naquela hora). Zé Sereno ponderava com Lampião que já haviam se demorado muito ali e que deveriam sair, sob pena de serem emboscados. Lampião disse que sairiam após o café.
Então, Lampião ordenou que Amoroso fosse até um dos caldeirões de água (pequena poça d’água acumulada a uns 70-80 metros de onde estavam). Amoroso, ao chegar no referido caldeirão, se preparou para urinar, e iria fazê-lo em cima dos soldados, que estavam escondidos ali próximos. Estes haviam recebido ordens de João Bezerra para não atirar antes dele, até que o cerco estivesse fechado. Os soldados, porém, não tiveram escolha, pois o cangaceiro estava muito próximo, quase “topando” neles.
Atiraram, então. Mas, por medo ou embriaguez, erraram e Amoroso volta correndo. Nesse ínterim, Maria Bonita vinha na mesma direção, com uma bacia de queijo do reino, para pegar também água. Os soldados, então, não perdem tempo e atiram na cangaceira, que grita: “- Valhei-me, Nossa Senhora!”. Maria foi, então, alvejada na barriga e, quando virou-se para correr, recebeu um balaço nas costas, caindo, logo adiante.
O tiroteio, neste meio tempo, já irrompeu para os lados onde Lampião estava. Zé Sereno, quando ouviu os tiros sobre Amoroso, disse a Lampião: “Não falei que a gente brigava hoje?”.
Logo aos primeiros tiros, o fuzil de Lampião foi atingido no engenho, o que limitou a reação do Rei do Cangaço (palavras de Candeeiro), e o fez ser atingido no tórax e no baixo ventre, caindo ao solo.
Zé Sereno conseguiu escapar ao furar o cerco parcialmente fechado (Aniceto perdera-se e não havia conseguido chegar neste momento) fingindo-se passar por um volante: “- Não atire, que é companheiro!”. Conseguiu, portanto, fugir.
Candeeiro correu, mas topou com os soldados de Aniceto Rodrigues no meio da mata, e foi atingido no braço, perdendo a capacidade de revidar os tiros. Mesmo assim, conseguiu fugir, ajudado por Amoroso e outros cangaceiros.
Cila, que praticamente foi arrastada pelos companheiros, estava em estado de choque. Correu pela caatinga descalça, pois não teve tempo de calçar as alpercatas. Na hora da fuga, a cangaceira Enedina vinha atrás dela. Em determinado momento, Cila sentiu um impacto nas costas e virou-se pra ver o que era. Deparou-se com Enedina caída no chão: levara um tiro na nuca e os pedaços de massa encefálica, meninges e sangue foram às costas de Cila. Segundo relatou em entrevista ao autor destas linhas, demorou muito tempo para tirar as manchas de sangue e cérebro que ficaram no seu vestido.
O tiroteio foi intenso e durou uns 20 a 25 minutos. Um dos soldados, Honorato, deu um tiro na cabeça de Lampião, quando este estava caído no chão, o que suscitou grande reprimenda de João Bezerra, que disse: “-Não atirem na cabeça! Não é pra esbagaçar! É pra cortar e levar!”.
Segundo depoimentos de cangaceiros e volantes, Maria Bonita teria implorado para não morrer. No entanto, foi degolada pelo soldado Santo (na verdade, Sandes), ao que parece ainda com vida.
O tenente João Bezerra foi baleado na perna durante o combate, provavelmente por Zé Sereno. Um soldado, Adrião Pedro de Souza foi morto durante o combate, provavelmente por Balão.
Corisco ouviu o tiroteio, mas como estava no outro lado do rio, não teve como dar uma retaguarda a Lampião. Só depois ficou sabendo o resultado do confronto.
João Bezerra ordenou que os onze cangaceiros mortos fossem decapitados e as cabeças levadas para Piranhas, onde foram fotografadas na escadaria da prefeitura. Depois de condicionadas em latas de querosene, foram levadas para Maceió, não sem antes serem exibidas em várias cidades do interior de Alagoas aos circunstantes, o que muito prejudicou a conservação das mesmas.
Em Maceió, as de Lampião e Maria foram examinadas pelo médico legista da Polícia Militar de Alagoas, Dr. José Lages Filho, que emitiu laudo de necropsia das peças. Posteriormente, foram mandadas para o Instituto Nina Rodrigues, em Salvador, onde ficaram expostas até 1969. Neste ano, foram sepultadas em urnas, após pedido da família.
Aí está, em algumas pinceladas, o combate do Angico, o tiro de misericórdia no Cangaço, que ainda estrebucharia até 1940, com a morte de Corisco. Os grandes vitoriosos deste episódio foram João Bezerra e Francisco Ferreira de Melo, que conseguiram seu intento, apesar dos muitos empecilhos que se apresentaram (a recusa inicial de Pedro em ajudar, o cerco que não estava fechado, a travessia do rio…). As luzes de Bezerra e Ferreira de Melo ofuscaram o brilho de Lampião, que não conseguiu cumprir a promessa que fizera a Dona Delfina. A dona da fazenda Pedra D’Água teve de arrumar outros padrinhos para festa em que aguardava Lampião e seu bando, com muito arroz doce e canjica.
Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
Zé baiano foi considerado um dos mais violentos cangaceiros conhecido por marcar suas vitimas com ferro quente e suas inicias


Re: Zé Rufino - O matador de cangaceiros (Documentário)
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