Em poucos anos estaremos falando a mesma língua


Concordo com muita coisa que vc escreveu mas faço algumas ressalvas. O único jeito de se tornar nativo em um idioma, é ter nascido no país em que tal idioma é falado. Acho que vc quis dizer que o único jeito de se tornar perfeitamente fluente em determinado idioma é convivência física e presencial. Aí sim concordo com você.Sieger escreveu:Eu não falei que isso não ocorreu. Na verdade foi exatamente isso que ocorreu. A imposição da língua portuguesa ocorreu juntamente com a supressão da população indígena nativa. Tanto que no final do século XIX a proporção de índios (e dos mestiços indígenas) na população era menor do que nos século XVII, devido à morte da população nativa e à imigração de portugueses, outros povos europeus e escravos africanos. É óbvio que alguns descendentes dos índios e dos mestiços se tornaram falantes nativos do português. Mas a troca da língua ocorreu essencialmente pela mudança na composição da população. Uma simples ordem governamental jamais seria capaz de modificar a língua nativa da população, sem a presença maciça de colonizadores falantes do português, até porque teria sido impossível para as gerações posteriores dessa população nativa aprender o português como primeira língua sem contato com falantes nativos do idioma.
Tem uma observação interessante que não falei no post anterior, que pode não ser óbvia: o único jeito de se tornar falante nativo de um língua é convivendo (convivência física e presencial mesmo) continuamente com outros falantes nativos da mesma língua. É curioso, e até estranho, mas é um fato. É por isso que crianças que estudam em escolas bilíngues não se tornam falantes nativas (apesar de aprenderem muito bem o idioma estrangeiro). Nessas escolas, mesmo que os professores sejam falantes nativos, o grupo de convivência delas (os colegas), com o qual elas interagem a maior parte do tempo, não é composta de falantes nativos. E é por isso que filhos de imigrantes, quando os pais continuam usando o idioma de origem em casa, se tornam falantes nativos desse idioma, além de falarem nativamente também o idioma do país onde moram.
A questão do nacionalismo e do orgulho podem dificultar sim a adoção de uma língua universal, mas não são nem de longe o maior problema. Afora o que eu já tinha dito sobre a não existência de falantes nativos dessas línguas universais, é preciso levar em conta também o problema operacional. Imaginem vocês adultos, tendo que aprender uma língua já depois de crescidos, e tendo que usá-la como idioma exclusivo, inclusive no ambiente familiar e interpessoal íntimo, para que seus filhos aprendam a mesma. Imaginem vocês tendo que se comunicar, inclusive ideias complexas e com carga emocional, sem nunca poder usar seu idioma nativo, através de uma língua que aprenderam depois de adultos. Imaginaram? Pois é, não difícil imaginar também porque a adoção de uma língua universal artificial nunca funcionou, mesmo em pequena escala.
Sim, mas isso acontece em certa medida até com o espanhol. Totalmente leigos no idioma leem o espanhol e veem que é muito parecido com o português na forma escrita. Agora vai escutar dois hispanohablantes falando entre si pra ver se tem semelhança com o português. Quem nunca estudou não vai entender praticamente nada.The Trooper escreveu:Romeno falado nunca entendi quase nada. Já escrito consigo pegar alguma coisa, devido À certa semelhança com o italiano.
Na verdade em linguística quando se diz que alguém é falante nativo, quer-se dizer que a pessoa domina o idioma como os outros falantes nativos, tanto do ponto de vista fonético/fonológico quanto do gramatical. Ou seja, a mesma não possui nenhum sotaque estrangeiro quando fala e é capaz de compreender um discurso ditado na mesma velocidade e com a mesma acurácia que os outros falantes nativos. A capacidade de adquirir uma linguagem como nativa, ao contrário que a maioria pensa, se estende por toda a infância até o início da puberdade, quando então desaparece abruptamente. Uma criança criada numa determinada região por toda a vida será falante nativa, por óbvio. Mas uma outra criança que se mude para essa mesma região, digamos, aos 7-8 anos, depois de alguns anos também será falante nativa. Se os outros falantes nativos forem expostos ao discurso dessas duas crianças quando adultas, eles não serão capazes de dizer quem chegou na região mais tarde, já com certa idade. Há um caso notório desse fenômeno, envolvendo o ex-secretário de estado americano Henry Kissinger. O mesmo chegou aos EUA com aproximadamente 15 anos, enquanto irmão caçula tinha entre 13-14 anos. O Henry Kissinger possui um forte sotaque alemão, ao passo que seu irmão se tornou falante nativo. Fala como americano, com a fonética americana, totalmente sem sotaque alemão. Isso demonstra claramente o fato de a capacidade de adquirir uma língua como nativa acabar de maneira abrupta, não gradual, na puberdade. Eu mesmo conheci um filho de portugueses na Alemanha que se mudou pra lá com 13 anos, e se tornou falante nativo. Ele mesmo dizia que era mais fácil pra ele falar alemão do que português. É claro que há uma variação individual nisso aí, assim como entre os sexos, pois as mulheres têm a puberdade mais cedo.Tuf escreveu:Concordo com muita coisa que vc escreveu mas faço algumas ressalvas. O único jeito de se tornar nativo em um idioma, é ter nascido no país em que tal idioma é falado. Acho que vc quis dizer que o único jeito de se tornar perfeitamente fluente em determinado idioma é convivência física e presencial. Aí sim concordo com você.
Quanto ao romeno, guarda sim similaridade com o português e outra línguas latinas. Está para o português aproximadamente como o francês também está.
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