Garfield escreveu:Bethe deve ser culpada por agir em benefício próprio?
Bethe Correia não cumpriu o que prometeu. Ao invés de nocautear Ronda Rousey no UFC 190 do último sábado, foi a brasileira quem acabou com o rosto na lona após um direto certeiro da campeã.
Aliás, assim que seu corpo inerte caiu, subiram as primeiras piadas na Internet.
Eu estava lá na Arena HSBC e vi torcedores brasileiros provocando Bethe na saída do octógono. Um de seus treinadores quase partiu para cima dos provocadores, mas conseguiu se segurar.
Ela acabou vilificada pelos próprios compatriotas por uma série de questões: dos comentários sobre suicídio ao esforço extra de “Rowdy” para ser apreciada pelos brasileiros,
passando pelo fato do povo, no geral, parecer gostar mais de vencedores do que do esporte em si.
É uma pena, mas Bethe é mais uma vítima dessa cultura. Assim como Thomaz Bellucci no Tênis, todos os pilotos brasileiros da Fórmula-1 pós-Senna, e tantos outros.
Se ela tivesse provocado o que provocou e vencido como disse que iria vencer, a admiração seria imensa. “Falou que ia fazer e fez”. Mas, não. Como não cumpriu sua promessa – e era bastante provável que não cumpriria -, virou alvo de chacotas e mais chacotas. Algumas de péssimo gosto, aliás.
O carisma imenso da campeã também contribuiu para isso. Afinal, Rousey soube se promover para o povo brasileiro, além de ter uma ligação natural com o país por conta do passado no judô (foi campeã pan-americana em 2007 no Rio) e o presente com o jiu-jitsu dos Gracies (treina com os irmãos Rener e Ryron, filhos de Rorion, um dos idealizadores do UFC).
Mas o que muitos não entendem é que Bethe só chegou a ter uma luta por título justamente por falar o que falou. Sua sacada genial de provocar Rousey após suas vitórias sobre amigas pessoais da campeã lhe ajudou também.
Digo tranquilamente que quase todas as suas provocações em direção a Rousey principalmente nas encaradas foram uma estratégia da ex-desafiante para desestabilizar Ronda.
Conhecida por sua frieza dentro do octógono e pela experiência em competição, Ronda não mordeu a isca. Apesar da agresssividade extra, ela conseguiu se manter firme o suficiente para deixar a diferença técnica entre as duas se mostrarem completamente.
Mas acho que a tentativa da brasileira foi válida. Ela provavelmente sabia que seus quatro anos de MMA não seriam páreos para uma vida inteira dedicada às competições, caso da campeã invicta.
Bethe realmente só passou dos limites quando trouxe o assunto suicídio à tona. Como muitos sabem, o pai de “Rowdy” se matou quando a moça tinha 8 anos.
"Existe uma diferença entre acreditar em si mesmo e ser iludida. A Bethe parece estar no lado errado disso”, alfinetou o peso médio Elias Theodorou
Esse foi o limiar e fez muita gente, principalmente fãs mais dedicados do esporte, a “mudar de lado”. Hoje, acho que a intenção dela não foi atingir a família da americana, mas entendo quem vê as coisas por esse lado – eu mesmo já pensei dessa forma.
Ela garante que não sabia desse episódio da vida de sua rival. Já Dana White – também pra botar pilha- garante que a brasileira tinha conhecimento prévio da situação envolvendo o pai de Ronda:
"Ela absolutamente sabia do suicídio do pai de Ronda antes de falar o que falou. Ela tem feito esses jogos psicológicos, mas Ronda é uma das pessoas mais centradas que já conheci”, disse o mandatário do UFC no “The Doug Gottlieb Show”.
Tirando a questão do pai que certamente é polêmica, não vejo como as demais provocações da ex-desafiante foram muito diferentes do que lutadores como Frank Mir, Anderson Silva, Chael Sonnen e Conor McGregor já fizeram.
Fonte:
http://sextoround.com.br/24193-bethe-de ... o-proprio/" onclick="window.open(this.href);return false;
Sexto Round mostrando, como sempre, um jornalísmo de qualidade.
Até agora não entendi o apedrejamento que estão fazendo com a Bethe, ainda mais em se tratando da Ronda que também sempre foi adepta ao TT de baixo nivel.