
Mesmo com a popularização do esporte por todo o mundo, o MMA ainda sofre com a falta de responsabilidade de promotores de eventos. Durante o Rato Fight Night, torneio realizado com o apoio da UPP Social, no último sábado, 11, na Favela do Rato Molhado, Zona Norte do Rio de Janeiro, uma menina de apenas 13 anos foi escalada para lutar profissionalmente contra uma adversária cinco anos mais velha. A menina, que lutava com o consentimento da mãe, jamais havia subido em um octógono antes e acabou nocauteada no terceiro round, após sofrer duros golpes de Karoline Martins.
O Blog Combate Extra entrou em contato com Yanui Pragana, um dos organizadores do evento, que afirmou desconhecer a informação. O treinador da adolescente, Robson Relma, no entanto, confirmou a real idade da aluna e disse que não sabia que o duelo seria profissional.
"Eu tinha ciência da idade dela, mas por ser um evento social, com apoio da UPP, imaginei que não teria problema. Não sabia que ela lutaria sem os equipamentos de proteção. Mas a mãe dela também estava ciente, inclusive, assinou um termo de responsabilidade que mandamos para o evento. Ela foi lá no dia, assistiu a luta e depois até veio me agradecer pela oportunidade dada para a filha dela", explicou Robson Relma, que coordena um projeto social na Vila Cruzeiro há mais de 20 anos.
Mesmo com o consentimento familiar, a prática profissional de qualquer atividade esportiva por menores de 16 anos é proibida no Brasil. O artigo 44, da Lei Pelé, que estabelece normas sobre o deporto no país, é claro neste sentido.
Art. 44. É vedada a prática do profissionalismo, em qualquer modalidade, quando se tratar de:
III - menores até a idade de dezesseis anos completos.
A Confederação Brasileira de MMA (CABMMA), órgão responsável pela regulamentação do UFC e dos principais eventos de artes marciais mistas no país, também se manifestou. Em entrevista ao blog, o presidente da entidade, Cristiano Sampaio, repudiou o episódio.
"Isso para o esporte é péssimo, não tem como colocar uma menina de 13 anos para lutar sem os equipamentos de proteção necessários. Se trata de uma criança ainda, existe um risco grande de lesão, podendo ser até irreversível dependendo da situação. Nos eventos que chancelamos, só podem lutar profissionalmente atletas maiores de 18 anos ou então maiores de 16 com um termo de responsabilidade assinado pelos pais".
O blog ainda entrou em contato com a UPP do Jacarezinho, apoiadora da competição, que, através do aspirante Prata, manteve o discurso do organizador do evento. A mãe de adolescente, também, foi procurada, mas sem sucesso.
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