Inspirado em BJ Penn, guianês ganha espaço no Brasil
Enviado: 10 Mar 2015 16:56
Inspirado em BJ Penn, guianês deixa oficina e ganha espaço no Brasil
Carlston Harris é apelidado de Moçambique porque, ao chegar na RFT, se destacava nos treinos físicos por sua velocidade. Lutador disputa semi do GP do XFC no sábado

A primeira vinda ao país foi para ir até Boa Vista (RR), onde ficou por dois meses. A viagem foi boa, e Carlston Harris planejou conhecer Manaus em 2007. A ideia era apenas passear, mas ele gostou tanto que resolveu ficar. Conseguiu um emprego de mecânico de automóveis e começou a treinar boxe. Na academia, conheceu um rapaz que treinava luta livre e que o levou para conhecer a modalidade. Também gostou e passou a praticar ambas. Mas sua vida só mudou mesmo quando assistiu a um DVD com lutas de BJ Penn, em 2010. Ali descobriu o que realmente queria para o seu futuro e resolveu correr atrás de seu objetivo.
- Quando vi as lutas do BJ Penn, falei: "Rapaz, acho que esse negócio é maneiro". Perguntei para meu professor em Manaus, Junior Lopes, se ele não sabia onde tinha academia para atletas profissionais, porque em Manaus eu treinava uma vez ou outra. Ele é amigo do mestre Cromado (treinador da RFT), que me chamou para vir para cá - explicou, em entrevista ao Combate.com.
No dia 5 de janeiro de 2011, Harris chegou ao Rio, ainda sem o apelido de Moçambique. Passou a morar no alojamento da academia, que fica na Ladeira dos Tabajaras, em Copacabana, bairro da Zona Sul da cidade. A recepção na RFT foi positiva, e o lutador se entrosou rapidamente com os novos companheiros.
O mestre Cromado me recebeu de braços abertos, e estamos aí até hoje. Desde o começo todos me receberam bem e me ajudaram muito. Todos lá são parceiros, unidos, então fica até difícil dizer quem é melhor amigo, porque não tem um mais amigo que o outro. Quando um precisa, a galera está junta, ajuda nos treinos, um precisa do outro.
O clima bom entre os lutadores da academia acabou lhe rendendo rapidamente o apelido de Moçambique. A ideia foi de Julian Jabbá, que percebeu a velocidade de Harris nos treinos físicos, e o chamou assim pela primeira vez.
- Esse apelido surgiu logo que cheguei no Rio. A gente sempre ia fazer algumas corridas, e eu corria muito rápido. Aí o Jabbá falou: "Esse cara deve ser de Moçambique". Colocaram o apelido em mim e ficou até hoje. Sou conhecido no mundo da luta como Moçambique - contou.

Sem experiência de MMA, especialmente na luta de solo, Moçambique sofreu no início. Depois de fazer uma luta amadora, ele migrou para o profissional, mas o começo passou longe de ser dos melhores. Logo na estreia, foi superado por Christiano Marques por decisão dividida, no AFC, no dia 8 de outubro de 2011. Menos de dois meses depois, no dia 3 de dezembro, voltou ao cage e, desta vez, saiu com seu braço erguido após finalizar Bruno Renascer no Beija-Flor Fight Combat. Mas voltou a sair derrotado no seu compromisso seguinte, no Shooto, em 10 de março de 2012, quando perdeu para Fernando Bruno por decisão unânime.
A partir deste dia, Moçambique não sentiu mais o gosto amargo da derrota. Foram quatro triunfos seguidos para o atleta de 27 anos, que faz questão de deixar claro que sabe que sua carreira ainda está apenas no início. Eu seu último confronto, bateu Ariel Jaeger por decisão unânime em sua estreia no XFC, garantindo vaga na semifinal do torneio, no qual enfrentará Paulo Cesar dos Santos para tentar chegar na decisão.
- Estou bem focado no meu treinamento, está intenso como sempre. Para entrar lá, não pode entrar mais ou menos. Tem que estar bem física e psicologicamente. Pelo pouco que conheço do meu adversário, sei que ele é bem explosivo, tem um físico forte, mas nada disso me intimida. Quando estou bem treinado, entro apenas pensando em fazer bem o meu trabalho - disse Carlston, que se define "como um lutador completo, tanto no alto, como no chão", acrescentando que sua deficiência era o chão, mas que melhorou muito e consegue aplicar bem esse estilo de jogo atualmente, tendo conquistado inclusive a faixa roxa de luta livre na RFT.
MMA AINDA NÃO É ÚNICA FONTE DE RENDA
Que Moçambique faz o que gosta atualmente, não há do que duvidar. Mas o MMA ainda não é a única atividade do guianês, que precisa fazer outras atividades para complementar a sua renda. Otimista, ele garante que as coisas vão melhorar, mas mostra pés no chão ao dizer que não será de uma hora para outra. Ao falar sobre qual é o seu sonho hoje, mostrou respeito ao XFC, evento do qual é contratado, ao não citar nome de nenhuma outra organização.
- Eu sou meio ligeiro. É uma forma de dizer. Consigo me virar, faço um bico aqui, outro ali, faço segurança de vez em quando, dou aula na academia, algumas aulas fora também. Eu me viro até as coisas melhorarem. Confio em mim e sei que vão melhorar. Nada acontece de um dia para o outro. Leva tempo. Você tem que saber o que você quer. Acredito em mim e estou caminhando. Hoje em dia estou em um evento bom, o XFC, e vou disputar um torneio de semifinal do XFC dia 14 de março. Meu grande sonho - sei que é o de todos os atletas - é um dia ser campeão e ficar entre os tops. Meu sonho é esse. Ser campeão do mundo um dia.
Fonte: http://sportv.globo.com/site/combate/no ... rasil.html" onclick="window.open(this.href);return false;