03/11/2015 às 21:52
Parecia bom demais para ser verdade. O anúncio do lineup de fim de ano do UFC foi sensacional, com várias lutas incríveis sendo casadas.
Porém, o fã de MMA não pôde nem se animar e alguns dos melhores combates já caíram.
Só na última semana perdemos Khabib Nurmagomedov x Tony Ferguson e Matt Brown x Kelvin Gastelum.
, desabafou o peso-leve russo, que não trabalha desde abril de 2014 e acumula de cirurgias nos joelhos à costelas quebradas.Quero pedir desculpas aos meus fãs. Eu quebrei a costela e mais uma vez estou fora de uma luta. Eu realmente queria voltar, mas já não tenho certeza se voltarei um dia”
(Sem contar que Joseph Duffy já havia deixado órfão o main event do UFC Fight Night 76 graças a uma concussão cerebral sofrida na Tristar Gym cinco dias antes).
Tanto Khabib quanto o Imortal Matt Brown acabaram saindo dos seus respectivos combates por lesões.
Recentemente, a maior luta do ano foi adiada por conta de uma lesão.
José Aldo teve um problema na costela durante sparring e quase perdeu seu bilhete de loteria – ou alguém imagina que uma terceira luta contra Chad Mendes traria o mesmo pagamento para o nosso campeão que o combate contra Conor McGregor lhe proporcionará?
Holdsworth: parado desde maio de 2014
Isso sem pensar nas lesões em treinamentos que ameaçam a carreira de lutadores. Lembram do vencedor do TUF 18, Chris Holdsworth.
Pois é, um dos lutadores mais promissores da categoria dos galos está fora do MMA profissional e ainda sem previsão de volta por conta de uma concussão sofrida durante uma sessão de sparring na Team Alpha Male.
E TJ Grant, que está afastado até hoje graças a um traumatismo craniano sofrido no tatame? E Dominick Cruz?
O que nos traz à velha pergunta: o lutador de MMA treina conscientemente o esvai-se totalmente no camp (lembram a máxima “nenhum lutador entra no octógono 100%?).
Todos sabemos que as artes marciais mistas não são como o futebol ou o vôlei. As chances de lesões sérias são muito maiores no tatame ou no octógono em relação à quadra ou ao gramado.
Grant: parado desde 2013
E para simular uma luta, o ideal é cair na porrada nos treinamentos. Mas tudo tem um limite.
Um exemplo é o do campeão Robbie Lawler. Recentemente, o dono do cinturão do UFC até 77kg admitiu que não faz sparring há seis anos. Ou seja, seu treino é todo focado em técnica e na parte física, sem a simulação total da luta.
Outra ideia interessante de como minimizar as lesões pré-luta vem da SBG, o camp do campeão interino dos penas Conor McGregor.
A ideologia do head coach John Kavanagh é simples – “treinar o software sem machucar o hardware”.
Ou seja, preparar a mente para o combate sem danificar o corpo.
Velásquez: uma luta em 24 meses
Esse modo de ver os treinos vem sendo difundido agora nos Estados Unidos por conta da presença de McGregor no TUF 22.
Impressiona o jeito como o irlandês e seus companheiros treinam, focando absolutamente na técnica e minimizando os conflitos diretos.
(E o MMA é tão perigoso que nem esse tipo de treinamento é garantia de chegar ao octógono 100% – o próprio Notorious admitiu que teve um problema sério no joelho antes do duelo contra Chad Mendes, no UFC 189).
Estou longe de ser um conhecedor de treinamento para MMA profissional e gente do calibre de Rafael Cordeiro já disse, inclusive ao Podcast do Sexto Round, que sparring é fundamental na preparação do atleta.
Não tenho a pretensão de confrontar a opinião de um dos maiores treinadores da história do esporte.
Acho, nesse caso, que o próprio lutador deve definir seu regime de treinos.
É preciso autoconhecimento do seu corpo, da sua técnica, do seu nível nas diversas disciplinas – mas é possível encontrar um equilíbrio e minimizar o número de lesões que o tirem de combates.
Fonte:
http://sextoround.com.br/31957-o-sparri ... os-no-mma/" onclick="window.open(this.href);return false;
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Eu to pra postar algo sobre o assunto aqui há um tempo já. Antes parecia uma opção pouco ortodoxa da equipe do Mcgregor, mas quando o Lawler falou da experiência dele, eu comecei a ponderar com mais cuidado.
É realmente uma faca de dois gumes, mas hoje estou começando a tender pro lado "Improve the software without damaging the hardware". Essas lutas caindo a rodo por aí mostram que alguma coisa precisa mudar realmente.


